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Eládio Paramés
Eládio Paramés

Miguel Cardoso: despedimento inevitável

O futebol está cada vez mais industrializado, cada vez mais transformado num negócio global. E engana-se redondamente quem pensar que esta tendência de os ricos investirem no futebol é passageira. Não é. Há muitos milionários no Mundo interessados em investir nele.

Isso é mau? À partida não, ainda que entre nós, latinos, continue a perdurar aquela ideia romântica de que os clubes têm de ser nossos, dos sócios, e se rejeite liminarmente a sua venda a qualquer ricaço prometedor de enormes injecções de capital e consequente conquista de títulos.

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Mas nem sempre muito dinheiro se traduz em boa gestão e mesmo em triunfos. Olhemos, por exemplo, para o Nantes, que recentemente despediu um dos mas promissores treinadores portugueses – Miguel Cardoso.

O clube francês foi comprado por Waldemar Kita, um francês de origem polaca que enriqueceu a vender lentes de contacto, o que nem por isso lhe melhorou a visão sobre o futebol. Nem a ele, nem ao seu filho, Franck, Director Geral dos 'canários'.

Esta dupla, assessorada por Mogi Bayat, um agente belga de origem iraniana, preso recentemente pela polícia belga, que o considera figura central na operação 'Mãos Limpas' que 'varreu' o futebol local, é quem define a estratégia, a política desportiva, quem contrata e despede técnicos e jogadores. No meio, tristemente, há também um agente (dos pequeninos) português.

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E a gestão do clube, em vez de ser profissional, está sujeita a outros interesses, alguns até dúbios, a birrinhas, ao quero, posso e mando de um presidente que nem sequer se coíbe de dar palpites públicos sobre quem deve jogar e como a equipa deve jogar. Resultados: 15 treinadores em 10 anos!

O FC Nantes é um exemplo típico de como um clube não deve ser gerido. Não se estranha por isso que Miguel Cardoso, cuja verticalidade e competência é ainda hoje reconhecida por jogadores e adeptos, tenha batido com a porta. Era inevitável.

Por Eládio Paramés
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