Há jogadores de futebol que desconhecem a gratidão
Seria uma semana ideal para falar de livros, mas, como não gosto de mexer na trampa, opto por colocar algumas interrogações que me assaltam o espírito e olvidar esses dois nojos que se publicaram em Londres e em Lisboa. E também vou fingir que desconheço o local para onde Ronaldo mandou o seu treinador quando foi substituído no jogo com o Las Palmas – um bom tema para os jornalistas de investigação.
A primeira prende-se com o facto de o MU estar à frente do Chelsea na classificação, dado pouco relevante neste momento, como é óbvio, mas que permite a pergunta: será que a imprensa inglesa irá tratar Conte como tratou Mourinho? Não sei se irá, até porque os media andam muito mais entretidos em ‘assassinar’ Rooney. E será que Mourinho o vai permitir? Ou, depois de o ter deixado no banco – o que poucos, muitos poucos teriam coragem de fazer – irá tentar recuperar pelo menos a sua confiança (porque o seu potencial físico… não consegue) na próxima jornada da Liga Europa? Deixo a resposta para os entendidos que eu cá disto não percebo nada.
Tal como também não percebo esta declaração: "Nos anos de Mourinho, eu notava que as pessoas nos odiavam e o Madrid não é isso. Quando Mourinho se foi a atitude das pessoas mudou." Pois odiavam, sobretudo porque, tal como agora protege Rooney, Mourinho defendeu Pepe quando este andava aos pontapés à cabeça dos adversários e a imprensa espanhola lhe chamava "assassino". E, exigiu que o Real lhe desse o contrato que lhe deram, quando todo o clube, com Florentino Pérez à cabeça, o queriam despachar a todo o custo.
E daqui resulta a minha última dúvida: deverão mesmo os jogadores de futebol ser tratados como pastilhas elásticas que, quando deixam de ter ‘sumo’, se cospem. Não serão todos, mas há alguns que não merecem melhor.
