O 'video boy'
Era uma vez um rapazinho que sonhava ser treinador de futebol. A restauração não era o seu forte e o restaurante, que a família lhe dera, depressa foi à falência. Preferiu ir para assistente do assistente do assistente nos infantis do clube do coração, o FCPorto. Até que um dia, a esse clube chegou um treinador que lhe achou graça e o trouxe para junto de si. Ensinou-lhe o ABC, o DEF e as restantes letras daquilo em que consistia a análise do jogo, promoveu-o e tornou-o profissional. O rapaz acabou por ir para Inglaterra e para Itália, onde continuou a fazer ‘save’ do material que o treinador lhe entregava e aproveitava para também fazer ‘copy’. Passou a viajar em executiva, a alojar-se em hotéis de 5 estrelas, a ocupar lugares privilegiados nos estádios, a ser conhecido. Mas o sonho não o abandonava e, em 2009, concluiu o curso de treinador.
Com o diploma na mão, não esteve com meias medidas: exigiu, repito, exigiu ser o segundo da equipa técnica. Mas... azar o dele: havia um segundo, Rui Faria, um terceiro, Baresi, um quarto, Silvino, e, por isso, ou se mantinha em quinto – onde ganhava bem mais que a esmagadora maioria dos treinadores da 1.ª divisão portuguesa – ou ia à sua vida. Foi, não sem que o seu líder obrigasse o clube a meter-lhe no bolso um ano de ordenado.
A sua carreira prosseguiu com o sucesso na ‘cadeira de sonho’, da qual se levantou mal o Chelsea o foi buscar pensando ter encontrado o Mou 2 – e onde os jogadores o apodavam de ‘video boy’ pelas funções que ali desempenhava –, seguindo-se depois o Tottenham e o Zenit. O sonho parecia ir concretizar-se, graças a quem lhe deu a mão e o projetou. É, por isso, lamentável vê-lo agora dar entrevistas, cuspindo no prato onde tanto caviar e ‘filet mignon’ comeu.
