Fabiano Abreu Agrela
Fabiano Abreu Agrela Jornalista e neurocientista

Cristiano Ronaldo já estava a precisar de preparador mental desde a turbulência no Real Madrid

É o mal do ser humano, procurar ajuda apenas nos momentos que mais precisam, mas a ajuda pode vir da prevenção. Hoje, o futebol, não é como antigamente. Há uma pressão externa bem maior, numa globalização midiática massiva. As exigências são maiores e este desporto não é socialista, já que ou você é o melhor, ou não há evidências e nem vitórias.

Preparadores mentais estão em alta, assim como o uso da neurociência para a alta performance. E hoje, muito mais é necessário como prevenção e isso é facilmente explicado. Se os problemas mentais são resultados de uma neuroplasticidade cerebral negativa, logo, este novo molde já interfere na solução. Ou seja, é muito mais difícil reconstruir o que foi moldado sendo melhor prevenir para que não seja um molde negativo.

Desde a turbulência no Real Madrid já se sabia que a troca seria uma transição complexa, aliás, toda troca de clube deveria ser acompanhada por um profissional da saúde que já mapeasse a transformação e suas consequências para o atleta. Sabíamos que a Juventus não era grande coisa pelo histórico do Cristiano e muito menos o campeonato italiano já em baixa há muitos anos após as corrupções internas.

A volta ao Manchester United é muito interessante como reconhecimento pela oportunidade do passado. Mas ainda haviam chances de ser goleador em outro clube com menos pressão de uma claque que é altamente crobradora e não se apega ao passado. Até porque muitos eram apenas crianças naquele passado. Sabemos como é o povo inglês, não perdoa, e assim vem sendo com o Cristiano. Até aqui em Portugal ouvi pessoas a criticarem a sua atuação nos últimos dois jogos. A esquecer que ele puxa a marcação e abre espaço e, ainda mais que isso, a esquecer que devemos muitas gerações a este grande homem.
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