Era uma vez o Desportivo: fim de um ex-Benfica moçambicano
Noutro século, noutro Portugal, impunha-se uma palavra que os tempos recentes levaram ao quase desuso e arredores: ultramar. Foi pretexto para império, para guerra, para aventura, para nova vida, para desporto também. Durante o século XX, a febre portuguesa pelo desporto ia de metropolitana a colonial. Ganhava novas cores nas antigas províncias ultramarinas, onde a expressão dos maiores clubes nacionais fazia-se sentir para lá dos relatos que chegavam pelas ondas da Emissora Nacional. Com o 25 de Abril e o desvanecer da lusitana utopia, os países pintaram de fresco a sua independência, apagando vestígios da ocupação portuguesa. Particularmente em África. Particularmente em Moçambique. Mas o Desportivo de Lourenço Marques só tinha mudado o nome com a cidade, hoje Maputo. O clube batalhara sempre para ser ele próprio. E essa luta, com tantas glórias desportivas ao longo de uma viagem de 102 anos, chegou ao fim.