Era uma vez um homem que nunca chegou a ser menino
Quando se sentou no avião com a seleção inglesa rumo à Alemanha para o Campeonato do Mundo de 2016, Theo Walcott, na verdura dos seus 17 anos, olhou em volta e viu poucas caras amigas. Para a esmagadora maioria dos companheiros... ele não era um companheiro. Não merecia estar ali. Era um capricho inacreditável de Sven Göran Eriksson, o seleccionador do esquadrão dos três leões. A reação tinha cara feia, mas era legítima. Walcott jamais havia jogado por Inglaterra ao mais alto nível e simplesmente não era visto como merecedor. Não passava de um intruso que tirava o lugar a quem, como dizem justamente os ingleses, já tinha ‘suado balas’ pelos seus clubes e pelo seu país. Mas Walcott foi à procura de si mesmo e bateu recordes. Não foi tudo o que poderia ter sido, agora que pendurou as botas aos 34 anos. Talvez tudo lhe tenha surgido cedo demais. Mas a sua saga dentro de campo é uma aventura que merece ser contada, agora que o avançado anunciou: "Quero ir viver a vida."