Marinho Peres e a morte lenta da gente boa
Marinho Peres partiu, mas a pergunta ficou: "Por onde andam as boas pessoas?" A interrogação tem dois juízos: de valor e de caráter, num mundo do futebol de consumo rápido, desgaste ainda mais veloz e que deixa os sentimentos à beira da estrada. E a sujidade que tantas vezes o financia aumenta a desumanização global que, em Portugal, se reduz a uma dimensão paroquial, feita de inimizades mesquinhas e enferma de clubite em estado terminal, avessa até a factos sempre que estes são inconvenientes. A memória de Marinho Peres, como a de todas as outras pouquíssimas pessoas do bem, foi um intervalo saboroso mas fugaz no nosso ‘futebolzinho de plástico’, onde Amorim é fio de esperança no pensar, estar, fazer e dizer, e Schmidt arranhou a imagem cavalheiresca de novo Eriksson.