Richarlison e o triunfo da mente sobre o corpo
Richarlison achava que já tinha resistido a tudo. Toda a sua vida era feita de sobrevivência. Suportou isto: a pobreza do estado brasileiro do Espírito Santo, da qual fugiu ainda adolescente – e sem ter sequer um par de chuteiras... – para ir aos testes no América de Minas Gerais, a 600 kms de sua casa; ao trabalho duro da plantação de café do seu avó; o divórcio do pais; ter de vender gelados na rua para ganhar uns cobres; a ser ajudante de pedreiro; a ter traficantes a apontarem-lhe armas à cara no seu bairro; à rejeição que já sofrera quando foi testado sem sucesso no Avaí e no Figueirense; à adaptação a realidades diferentes quer no seu país, quer mais tarde em Inglaterra... Mas foi preciso o internacional brasileiro chegar ao Tottenham já um jogador feito, um avançado temível, para arriscar perder o que nunca perdera: a fé em si e nas coisas. Richarlison, de 26 anos, combateu uma séria depressão, procurou ajuda e está aí a contar a sua história. Que continua a ser de sobrevivência.