O caminho em liberdade (parte 2)
Passaram 50 anos do dia que mudou o destino do nosso país e a intensidade com que o povo português assinalou esta data deixa-me esperançoso em relação ao futuro. Numa nota mais pessoal, tinha 7 anos e provavelmente andava pelas ruas do castelo de Bragança a jogar à bola quando os Capitães de Abril derrubaram o regime. Conheci bem a dureza da vida no interior e a falta de oportunidades que condenou as gerações anteriores ao trabalho árduo, à emigração ou à degradação pessoal. Fui o primeiro da minha família a conseguir frequentar e concluir uma licenciatura e acabei por assumir funções numa organização que me tem concedido o privilégio de expressar e reivindicar direitos para toda uma classe profissional. Inspirado nos corajosos fundadores do Sindicato dos Jogadores, a que nunca é demais prestar homenagem, senti sempre o peso de poder dizer o que penso, discordar e combater, sempre que foi necessário, os interesses conflituantes desta indústria do futebol. Todos somos filhos desta revolução, mesmo os mais descrentes. Para a preservar importa, mais do que nunca, incutir a necessidade de um verdadeiro ativismo. Vejo nos jogadores e jogadoras de futebol um enorme potencial. É certo que enfrentam desafios muito diferentes das gerações pós-revolução.
