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Federer é um enorme jogador de ténis com um talento único, comparando com um jogador de futebol tem técnica demais e físico de menos. Isto é, é um jogador de "souplesse" e não em força.
Tenho acompanhado o Open da Austrália e na terceira ronda Federer perante John Millman esteve por um triz para ser eliminado, mas virou um 4-8 no decisivo super tie-break.
No domingo não sofreu tanto e venceu naturalmente Marton Fucsovics.
Federer e os seus treinadores Ivan Ljubicic e Severin Luthi queriam evitar a todo o custo que Rafael Nadal empatasse o seu recorde de "Grand Slam" - 20. Nadal tem 19 "Grand Slam", mas foi eliminado por Thiem e Djokovic está um pouco mais longe, tem 16 "Grand Slam", mas pode somar mais um ao seu palmarés, está na final. O óbice foram os seus 38 anos e a dificuldade de recuperação de uma partida para outra, assim como ter que jogar cinco sets, que é um esforço adicional.
Federer continuou com a sorte de campeão e voltou a salvar-se no quarto set, ante Tennys Sandgren, fez 5-5 e a seguir venceu no tie-break e virou a partida a seu favor.
Federer esteve agónico, mas seguiu em frente, sobrevivendo por vezes de uma forma inesperada com contornos de dramatismo e emoção no limite máximo.
Ter o público do seu lado ajudou muito e foi um jogo impróprio para cardíacos. A aparente serenidade e sangue-frio de Federer ajudou-o a virar o resultado a seu favor. Estava a jogar sem ter nada a perder, tudo que viesse era bom, depois do que se estava a passar.
Umas vezes vence-se, outras vezes perde-se. O ano passado em Wimbledon teve várias hipóteses de vencer Djokovic e perdeu, desta vez, aconteceu o contrário para gáudio de quem gosta de o ver jogar.
Foi a décima quinta vez que se classificou para as meias-finais do Open da Austrália, mas ter pela frente Djokovic foi um desafio difícil, mas ao mesmo tempo aliciante.
Para além da sua magia, não se deu um milagre e Djokovic venceu apesar no 1.ºset ter chegado a um tie-break, é um adversário temível e sem pontos fracos.
Tive pena que Federer não tivesse chegado à final do Open da Austrália, com certeza ajudava-o a continuar no circuito para delícia dos amantes do bom ténis. Assim acho que o ocaso da sua carreira estará mais perto.
Fundador do Clube dos Pensadores
*escrevo ao abrigo do antigo AO