Joaquim Jorge
Joaquim Jorge Fundador do Clube dos Pensadores

Cumprimentar ou não no futebol?

No início de cada jogo os jogadores põem-se em fila e cumprimentam-se uns aos outros por obrigação. É o que consta no boletim de jogo, mas há excepções, jogadores zangados que já tiveram problemas fora do campo.

Aliás, antes da entrada em campo vê-se no túnel de acesso ao estádio cumprimentos e saudações efusivas entre alguns jogadores. Chega-se ao ponto de se ver a conversar com o árbitro. Tudo natural e faz parte do relacionamento entre pessoas civilizadas que são jogadores de futebol.

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Do mesmo modo, os treinadores cumprimentam-se no início do jogo, porém no final do encontro não estou de acordo. O treinador que perde não deve estar muito bem disposto e com paciência para estender a mão ao treinador adversário e vencedor.

O treinador perdedor quer é ir para o balneário e procurar esquecer rapidamente a derrota. Uma coisa é ser educado outra é ser hipócrita.

Na Liga dos Campeões no jogo entre o Atlético de Madrid e Liverpool no final do jogo Simeone foi fiel ao costume de correr para o balneário sem cumprimentar o treinador adversário. Assim o fez. Foi criticado por isso e Klopp ficou sem o cumprimento final. Eu acho que não é obrigatório e como o Atlético perdeu é natural Simeone querer desaparecer daquele lugar. Houve antes do jogo algumas trocas de galhardetes sobre a forma como jogam as equipas de  Simeone e Klopp.

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Não está escrito em lado nenhum que um jogador ou um treinador têm que cumprimentar. No futebol inglês há essa tradição com os treinadores.

Porém, um jogador cumprimenta quem quiser e quando quiser antes do início do jogo a meio ou no fim.

Simeone e Klopp são dois treinadores de prestígio e sucesso, têm estilos de jogo diferentes e formas diferentes de se cumprimentar. Normal e natural.

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Algo que eu acho absurdo é numa final,  o protocolo estabelecer que a equipa que vence faz um corredor para quem perde lhe seja entregue as medalhas. A cerimónia é mórbida uns com sorrisos e mais felizes do mundo, outros tristes e a pensar quando podem sair daquele filme.

Quem perde já chega ter perdido o jogo em si, já é castigo que chegue. A desolação, a tristeza e alguns até choram. Para além disso, ter que esperar que se desenrole a cerimónia ainda agrava mais a morbilidade desta cena.

Quem perde e é derrotado quer é ir para o balneário para desabafar, exteriorizar a raiva e tomar um duche retemperador.

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Há coisas no futebol, por vezes, roçam a humilhação.

 

Fundador do Clube dos Pensadores

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*escreve ao abrigo do antigo AO

Por Joaquim Jorge
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