Joaquim Jorge
Joaquim Jorge Fundador do Clube dos Pensadores

Euroexit

Portugal valeu-se de Quaresma. Quaresma merecia marcar um golo destes: decisivo e que valeu a qualificação.

Quaresma também joga e a selecção nacional não é só Ronaldo. Tem imensos jogadores e é uma equipa. Quaresma e o seu futebol merecem a nossa atenção.

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Quaresma sempre que entra em campo, as coisas saem-lhe bem. Exímio no um contra um, uma capacidade de centrar e colocar a bola, onde quer, com uma precisão incrível. Remata por vezes de trivela que é um prazer ver lances com esse recorte técnico.

Contra a Croácia não jogamos muito bem. A Croácia depois de vencer a Espanha ficou um pouco com a mania que seria fácil vencer Portugal, mas enganou-se.

Foi um duelo magnético entre duas grandes equipas. A Croácia teve muitas vezes a posse de bola mas não progredia. Sofreu da síndrome da bola. Portugal queria roubar-lhe a bola para em contra-ataque desferir os seus golpes mas não foi capaz de o fazer.

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O jogo mexeu com a entrada de Renato Sanches um poço de energia e talento, assim como o artista Quaresma: o eterno incompreendido mas o salvador do jogo e do espectáculo.

Foi um jogo sem profundidade e aborrecido mas cheio de emoção e sofrimento à mistura.

Se não fosse Quaresma teríamos ido a penáltis. A verdade é que vencemos com um chuto defeituoso de Nani que deu um passe a Ronaldo que rematou, mas que não seria golo se não aparecesse Quaresma.

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Ronaldo não jogou muito bem e resguardou-se muito. Todavia a sua solidão em campo não tinha remédio. Foi generoso a defender mas participou muito pouco no jogo, por opção e porque a bola não lhe chegava.

Uma exibição em função das circunstâncias, finalmente venceu. Não nos 90 minutos, mas no prolongamento e está nos quartos -de-final. Esta quinta-feira lá estaremos colados à televisão pelas 20h.

O melhor foi o resultado. O futebol permite que Portugal consiga chegar muito mais longe que na política e vencer equipas teoricamente mais fortes do que nós. Funciona como um pouco de vingança e de fortalecimento do nosso ego.

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Este Europeu parece acompanhar o Brexit e está a tornar-se um Euroexit. A Inglaterra saiu da U.E. mas levou consigo a equipa de futebol. A Espanha seguiu-lhe o caminho. A seguir sai a Alemanha ou a Itália que se defrontam nos quartos-de-final.

Depois de ver a Islândia vencer a Inglaterra faço "mea culpa" e tenho que reconhecer que Portugal até não fez um mau jogo inaugural.

Por outro lado, a Espanha, lá foi sem glória. Tenho pena de Del Bosque. Desde que Pedro reclamou que queria jogar a Espanha nunca mais foi a mesma.

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Messi não venceu a Copa América e falhou um penálti que mandou para as nuvens.

Agora só falta Portugal avançar e vencer a Polónia.

Por Joaquim Jorge
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