Clube dos Pensadores

Joaquim Jorge
Joaquim Jorge Fundador do Clube dos Pensadores

Fair-play

Marcelo Bielsa teve uma atitude de fair-play que deve ser um exemplo no jogo entre o Leeds-Aston Villa.

Marcelo Bielsa apercebeu-se que o Leeds marcou um golo em vantagem por lesão de um jogador do Aston Villa. Fez algo impensável, mas lindo para quem gosta de futebol: ordenou que os jogadores do Leeds deixassem marcar o Aston Villa.

Uma atitude que não é normal, mas que deveria fazer escola. Muitas equipas quando um jogador se magoa continuam o jogo, em vez de pararem. O futebol deve ser jogado em igualdades de circunstâncias e não com pressões exteriores quer da arbitragem quer de outro tipo de anomalias.

Bielsa é diferente, controverso, mas pensa pela sua cabeça. Já antes no Lille foi suspenso por viajar para o Chile para ver um amigo com cancro em fase terminal. Como foi sem autorização, o Lille rescindiu o seu contrato. Sempre teve uma relação difícil com jornalistas. Na Lazio, Bielsa esteve apenas dois dias e demitiu-se mesmo antes de entrar em funções.

No Marselha demitiu-se logo após primeira jornada do campeonato francês na sequência de uma derrota em casa.

A imprevisibilidade do futebol tem o seu expoente máximo em Marco Bielsa, quando não gosta do que se passa bate com a porta, outros calam-se a bem do seu chorudo ordenado.

Mas voltando ao "fair-play" que é algo importante neste desporto que pode ser um exemplo positivo ou negativo. Pedir desculpas e evitar o anti-desportivismo é fundamental.

O que fez Bielsa no futebol inglês acontece amiúde. Há uns anos atrás, um jogo foi repetido por falta de fair-play, entre o Arsenal e o Sheffield United, para a FA Cup. O Arsenal venceu por 2-1 graças a um golo de Overmars recebendo um passe de Kanu, que seguiu na jogada quando esperava que lhe devolvesse a bola.

Arsène Wenger fez mea culpa, declarou que foi um mal-entendido e ofereceu ao Sheffield United a possibilidade de repetir o jogo. A sugestão foi aceite pela federação inglesa. O jogo repetido foi ganho pelo Arsenal, mas sem controvérsia.

Em Portugal algo semelhante seria impensável. Ainda no último fim-de-semana porque o FC Porto empatou, Pinto da Costa foi assobiado e insultado por adeptos que querem vencer sempre, esquecendo-se do que Pinto da Costa fez pelo FC Porto e continua a fazer, elevando-o ao mais alto nível.

O futebol português vive de "casos" e de imediatismo. Não há memória, só a vitória interessa esquecendo-se que um jogo pode ter um vencedor e um vencido, assim como, empate.

O "fair-play" passa por saber perder, mas também, por saber vencer.

Há casos extraordinários de "fair-play" no futebol estou-me a recordar de Klose, que jogava na Lazio, marcou um golo com a mão e, enquanto os seus companheiros festejavam, dirigiu-se ao árbitro para lhe confessar o que fez. O golo acabaria por ser anulado, e Klose receberia uma enorme ovação dos adeptos e jogadores do Nápoles.

O "fair-play" no futebol não é uma regra, mas faz parte da ética e os jogadores devem procurar jogar de maneira correcta sem prejudicar o adversário de forma propositada.

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