Clube dos Pensadores

Joaquim Jorge
Joaquim Jorge Fundador do Clube dos Pensadores

Racismo

Muitos portugueses apesar de dizerem que não são racistas, são-no, mas, não querem assumi-lo. No fundo, são racistas envergonhados, em que publicamente negam-no, mas em privado desdenham e são pouco tolerantes, racistas, xenófobos e discriminatórios.

Recordo-me de ver um jogo, há uns anos atrás em que o Oceano do Sporting quando tocava na bola, o estádio em uníssono imitava o som de um macaco. Uma atitude deplorável, mas o assunto morria ali. Eu ficava siderado com tal atitude, outros riam e achavam piada e não passava disso.

Por outro lado, as claques insultam a equipa adversária com cânticos em que às páginas tantas ouve-se "filhos da p***". Que me recorde nunca vi punirem este tipo de insultos.


No futebol os protagonistas devem e têm que ser os jogadores, as claques estão ali para apoiar, e não, para insultar com cânticos racistas e de outra índole.

Marega tem toda a razão, mas no jogo Guimarães – Porto, não foi daqueles que se notou mais o racismo. Evidentemente que o golo que marcou fez com que a claque vimaranense ficasse exaltada, mas nada justifica actos racistas. Marega ao sair podia ter prejudicado a equipa, é um profissional dos melhores do Porto, tem que se habituar a lidar com este tipo de situações, com certeza, já foi insultado de outras formas e resistiu.

Recordo-me de um jogo em Espanha em que um adepto atirou uma banana a Dani Alves do Barcelona, quando ia marcar um pontapé de canto durante o Villarreal-Barcelona, mas em vez de dar importância ao facto, pegou na banana comeu-a e continuou como se nada tivesse acontecido.

Evidentemente que existe racismo no futebol que vem da sociedade em geral. Uma multidão julga-se imune e protegida, aproveita o facto, faz e diz coisas inconcebíveis. O efeito de uma multidão é devastador.

Se houver uma punição exemplar com identificação dos prevaricadores, as coisas tomam outra forma. São necessárias campanhas e acções por parte do governo de combate ao racismo e penalização severa desses actos.

Neste caso, em Guimarães salvaguardando quem assistiu ao jogo de futebol e teve um comportamento decente e correcto.

A FPF e o Governo têm que mostrar vontade de combater todo o tipo de discriminação no futebol.

Qual será a solução para acabar ou diminuir o racismo dentro dos estádios? Tem que punir-se o clube? Tem que proibir-se a claque de entrar no estádio? O que fazer?

Multas pesadas, fechar parte do estádio de onde veio o cântico racista e os gritos, jogos à porta fechada, perda do jogo e até exclusão do torneio em que está inserido o clube.

Tem que ser algo pesado para que os clubes comecem a pensar na forma de combate e prevenção. Cada clube deve ter cuidado na adesão de um sócio, explicar que não toleram violência e racismo, com exclusão pura e simples, de quem professe cânticos racistas ou de outra índole.

Talvez assim as coisas melhorem. Enquanto as multas forem aplicadas com valores pequenos, os cânticos vão continuar.

 

Fundador do Clube dos Pensadores

*escrevo ao abrigo do antigo AO

 

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