Portugal
No sábado de confinamento lá estive a ver o Portugal-França e confesso que fiquei desiludido. Portugal já não é uma equipa com complexos de inferioridade, bate-se, de igual para igual, com qualquer equipa. Venceu o Euro 2016, na final com a França e no último jogo em Paris esteve muito bem.
Deixou para trás vários anos de desaires, em que a França tinha vencido sempre e eliminado Portugal nas grandes competições, nas meias-finais, o que aconteceu nos europeus de 1984, em França, e 2000, na Bélgica e na Holanda, ambos conquistados pelos franceses, e no Mundial de 2006, na Alemanha.
Acalentei a esperança que podíamos vencer o jogo, mas tal não aconteceu. Voltamos à melancolia e a tentar perceber por que razão tal aconteceu? Portugal perdeu a batalha do meio-campo, ter Ronaldo é um acrescento anímico e moral, mas Ronaldo não pode fazer tudo.
Portugal perdeu porque os franceses foram superiores e tiveram em Kanté um jogador que fez a diferença correndo o campo a toda a largura, e ainda teve ensejo para marcar um golo que deu a vitória. É verdade que Lloris na baliza evitou vários golos de Portugal, então aquele "tiraço" de Moutinho é algo fantástico. Todavia Patrício evitou o pior com enormes defesas.
Portugal não pode passar da euforia à depressão. Fiquei com a ideia que Portugal entrou confiante demais, foi pouco agressivo, dificuldade na recuperação de bola, dificuldade em sair com a bola jogada, não esteve compacto e com linhas de passe.
Portugal tem de levantar a cabeça e preparar-se bem para o Europeu na Hungria e a seguir os jogos preliminares para o Mundial. No jogo contra a Croácia melhorou um bocadinho e a vitória foi o melhor.
Se calhar foi bom perder para descerem à terra e serem mais humildes. Portugal não tem obrigação de ganhar todos os jogos, mas é nestes jogos com selecções, aparentemente, com um historial superior que se deve medir.
Deschamps que é teimoso, nunca vai convocar Benzema, mas também não fez falta. A França ganhou o jogo porque tomou conta do meio-campo. O seu plano resultou na perfeição, fica o amargo da derrota e a ideia que podíamos ter feito mais, pelo menos chegar ao empate.
A ausência de Pepe foi notória, mas uma selecção deste nível não pode ficar a olhar para jogadores ausentes, mas criar situações de substituição em pleno. Não nos podemos esquecer que Ronaldo não é eterno e chegará ao próximo Mundial com 38 anos.
Fundador do Clube dos Pensadores
(escrevo ao abrigo do antigo AO)
