Clube dos pensadores

Joaquim Jorge
Joaquim Jorge Fundador do Clube dos Pensadores

Árbitros profissionais

Na Premier Legue, quando chegou o profissionalismo dos árbitros, no início do séc. XXI, provocou compreensíveis rupturas com a mentalidade até então vigente. Um árbitro inglês tem contrato que poderá ser, ou não, renovado, tudo dependendo das avaliações feitas às suas actuações.

Em Portugal deve adoptar-se um sistema com um modelo próprio, que se adeque à nossa realidade. Na época 2013/14 deu-se os primeiros passos com a profissionalização de nove árbitros. A seguir foi o aumento do número de árbitros e a inclusão de árbitros assistentes.

Os árbitros têm que acompanhar a evolução do futebol e não podem ser os parentes pobres deste desporto, que se tornou de tal maneira profissional e importante, que influencia o PIB e o estado de espírito de uma nação.

Não é concebível num jogo que envolve muito dinheiro, em que os jogadores ganham milhões assim como os treinadores, e os árbitros ganham tostões. O árbitro é um interveniente decisivo, com uma responsabilidade enorme pelas suas decisões, tem que ter uma remuneração condizente. Se um árbitro erra cai o Carmo e a Trindade, se um jogador falha é sempre desculpável.

Prevejo no futuro que haverá uma entidade gestora de árbitros profissional e esses árbitros serão contratados para diversas ligas. A liga chinesa já abordou a possibilidade de contratar árbitros ingleses. Isto é o começo, como há clubes que contratam jogadores de futebol, no futuro haverá entidades que contratam árbitros de futebol. Contudo a independência exigida a essas entidades obriga a que sejam supervisionadas por um organismo do futebol quer a nível nacional quer a nível internacional.

Os árbitros deveriam ser todos profissionais e não terem que viver de outras actividades. Com a profissionalização dos árbitros, todos eles poderiam viver exclusivamente do futebol. Isso possibilitaria um melhor desempenho em diversos aspectos. Os jogadores treinam todos os dias, fazem pré-temporada, possuem preparadores e técnicos para acompanhá-los e avaliá-los. É necessário que alguém treine os árbitros para estarem preparados adequadamente, tanto física, como tecnicamente. Em Portugal já há dois centros de treino, um na Maia e outro na Amadora, mas é necessário mais instalações para poderem treinar e fornecer as equipas técnicas, médicas e de fisioterapia.

Muito se fala da tecnologia como forma de ajudar os árbitros. E seria muito útil, já que vários lances seriam facilmente resolvidos com a ajuda dela. Quantas vezes, vemos imagens repetidas na televisão, e continuamos com dúvidas se, foi penálti ou não e, se está fora-de-jogo ou não. A tecnologia, sozinha, não vai resolver todos os problemas da arbitragem. É preciso que os árbitros tenham uma preparação uniforme. Uma das maiores críticas aos árbitros é a gritante falta de critério. Se os árbitros tivessem uma pré-temporada, como têm os jogadores, onde passariam um mês juntos, recebendo as mesmas recomendações e até trocando ideias, como em qualquer outra profissão. É provável que isso ajudasse a uniformizar os critérios.

A profissionalização da arbitragem não vai acabar com os erros no futebol em Portugal, mas certamente ajudaria a diminuí-los. Melhores arbitragens significam melhores jogos de futebol. Um dos benefícios de árbitros profissionais é que os torna mais credíveis. Por fim, algo que não é despiciendo, a profissionalização torná-los-ia independentes economicamente e evitar-se-ia rumores constantes de aliciamento.

Nota: a ausência, na segunda-feira, dos jogadores do Barcelona, incluindo Messi, da Gala da FIFA, em que Ronaldo foi o vencedor. Só lhes fica mal e mostram mau perder. A desculpa da ausência, por terem jogo da Taça do Rei, com o Atlético de Bilbau, não cola. Griezmann teve jogo, na terça-feira e marcou presença.


*escrevo ao abrigo do antigo AO

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