Clube dos Pensadores

Joaquim Jorge
Joaquim Jorge Fundador do Clube dos Pensadores

Futebol sem assistência

O futebol como ocorre com muitos jogadores é uma festa e um prazer jogar, mas sem assistência torna-se uma aberração e contra-natura. Ver um jogo ao vivo é completamente diferente, o entusiasmo e toda a moldura humana. Ouvir o bruaá quando é golo, ouvir o bruaá quando o árbitro não marca falta, ouvir o bruaá quando há um remate perigoso e quase é golo. Tudo isto é impagável pela sua beleza, envolvência e sonoridade única.

Vi Eusébio jogar ao vivo, quase que via Baggio, para mim o melhor jogador do mundo na posição 9, 5 (isto é um falso 9). Vi Gomes bi-bota de ouro, vi e vejo Ronaldo, entre outros.

Num jogo em que se ouve os colegas de equipa, ouve-se o barulho da bola quando sai, mas não se ouve o barulho das pessoas, os seus gritos, os seus insultos, o seu apoio, o eco que fazem. Para mim não é jogo, mais parece um treino ou uma peladinha.

Um jogo de futebol sem assistência perde a sua essência. A possibilidade de se jogar em recintos fechados devido à Covid-19 arrepia-me e falta qualquer coisa para ser futebol.

A nível táctico é o mesmo nada muda, mas a motivação dos jogadores não é a mesma. Um campo de futebol sem adeptos torna-se neutro e a vantagem de jogar em casa esfuma-se. Os jogos à porta fechada sempre foram para castigar o clube por mau comportamento dos seus adeptos, para tirar alguma vantagem de jogar em casa e receita na bilheteira.

O futebol é um espectáculo e o espectáculo é o público. Faltam os aplausos e os assobios. Os aplausos motivam os jogadores da casa, mas os assobios também motivam os adversários.

É uma sensação de tristeza, de vazio, de vida após a morte. Falta a adrenalina e a pressão do público. É esquisito, mas traz vantagens para os treinadores que podem influenciar mais, com as suas indicações e tornam-se mais audíveis, por outro lado, traz vantagens para os árbitros actuam com mais liberdade.

Os jogos em casa perdem a pressão toda que se exerce sobre os árbitros e o próprio jogo em si.

O jogo estava a ficar muito mecanizado, tirando raras excepções como o fabuloso Ronaldinho, um artista e um génio que rebentava com qualquer esquema táctico, de um momento para o outro. O futebol tinha perdido espontaneidade e agora sem público vai perder emoção.

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