Clube dos pensadores

Joaquim Jorge
Joaquim Jorge Fundador do Clube dos Pensadores

José Mourinho em Manchester

José Mourinho voltou a Stamford Bridge para defrontar a sua antiga equipa, o Chelsea.

Esteve no Chelsea entre 2004 e 2007, período em que foi 'The Special One', e em 2013-15, em que foi 'The Happy One'. Este domingo foi 'The Bad One'.

Mourinho, no Chelsea, teve imenso sucesso. Em 321 jogos venceu 214 (64%), o que lhe permitiu conquistar: três campeonatos, três Taças da Liga, uma Supertaça de Inglaterra e uma Taça de Inglaterra. Além disso, apesar de não ter vencido a Liga dos Campeões, chegou a três meias-finais. São números impressionantes, que mostram um curriculum notável.

Mas o futebol é cruel. Regressou este domingo, mas do outro lado do banco, como treinador do Manchester United. Em 22 jogos contra antigas equipas que treinou (U. Leiria, Benfica, Porto, Chelsea), Mourinho venceu 14, empatou cinco empates e perdeu três. Conte, actual treinador do Chelsea, estava de sobreaviso e não deu hipóteses.

A sua maneira de ser é imperturbável e demolidora mas está mais sensível e afável. Mourinho tem sempre uma enorme informação das suas antigas equipas. Mas esteve mal na estratégia para este jogo. Antonio Conte jogou como a seleção italiana, somente com três defesas, mas foi pragmático.

Estava preparado para ser bem ou mal recebido. Mas foi recebido assim-assim. Uns entoaram que já não era especial, outros entoaram o seu nome.

Viu-se na fase de aquecimento, antes do início do jogo, como a maioria dos jogadores do Chelsea foi cumprimentar Mourinho de uma forma efusiva e sentimental. Muito bonitos esses momentos. Mourinho deixou a sua marca indelével no Chelsea pelas suas vitórias, mas também pela sua maneira de ser. É um treinador querido para os lados de Stamford Bridge.

Mourinho é polémico, todavia tem tanto de arrogante como de humilde. É um treinador marcante por onde passa.

Estava dado o mote para não haver problemas. Por fim, disse que não ia celebrar os golos, mas o Manchester ficou em branco e levou um banho de bola.

Começou logo a perder 1-0 com um golo-relâmpago de Pedro; a seguir o Chelsea fez o 2-0 e o Manchester United parecia uma equipa sem norte. Ao intervalo fez alterações, entrou Mata e saiu Fellaini. Aconteceu a saída forçada de Bailly por lesão e entrou Rojo. Depois trocou Martial por Lingard. O Manchester foi humilhado por 4-0, mas também pela inoperância de ter soluções para contrariar o jogo do Chelsea e a estratégia de Conte.

Mourinho voltou mas foi humilhado. É a lei do futebol, em que não se vive do passado e de êxitos antigos.

Mourinho tem que arrepiar caminho. Este domingo perdeu e a sua auréola não funcionou. A culpa não foi do árbitro ou dos jogadores, a culpa foi de Mourinho. O Manchester United parece uma equipa em obras. Mourinho tem aludido com sarcasmo ao génio alemão Einstein em defesa dos seus métodos e da escolha dos seus jogadores como Pogba. O futebol não é uma ciência exacta. Mourinho pode ter sido um génio, mas a verdade empírica, em relação à teoria da relatividade, actualmente é uma sombra do que já foi. Acerta às vezes mas erra muitas vezes. Não consegue fazer a diferença pela motivação extra aos jogadores, na táctica ao intervalo e nas alterações de jogadores. Mourinho vestiu o fato de gentleman mas ele é um rebelde. Neste registo não tem funcionado.

Viver sozinho em Manchester, num hotel sem a sua família, que está em Londres, é um atenuante, mas não explica tudo.

A derrota em casa perante o Manchester City (1-2) deixou marcas. Ibrahimovic está há seis partidas sem marcar, Pogba está a ser irregular.

Esta 4.ª feira, teve o pior teste que poderia ter, de novo, com o Manchester City para a Taça da Liga. Mourinho está a viver momentos difíceis, mas descobriu a fórmula para se impor. Tinha necessidade de vencer e Mata fez-lhe a vontade. O Manchester United ganhou por 1-0 e afastou a crise para longe. Vencer é o melhor doping numa equipa de futebol, mas o United não está a jogar bem.

Gostei de ver o abraço cordial entre Mourinho e Guardiola, a troca de impressões com sorrisos entre os dois. Há uns anos atrás estes momentos seriam impensáveis. O futebol é um jogo que envolve milhões mas não é uma guerra, é simplesmente um jogo entre adversários, que não têm que ser necessariamente inimigos. O futebol torna-se mais belo com estes pequenos gestos.

O autor escreve ao abrigo do antigo Acordo Ortográfico

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