Liga das Arábias
Esta sexta-feira, dia 11 de Agosto, começa a Liga Árabe (Saudi Pro League) faz parte de um projecto político do príncipe herdeiro saudita, Mohamed bin Salman.
Todos os clubes da liga saudita são provenientes do Ministério dos Desportos, isto é, do rei. O Estado controla 75% do capital dos quatro maiores clubes: Al-Ittihad, Al-Ahli, Al-Nassr e Al-Hilal.
Mohammed bin Salman, herdeiro do trono saudita de 37 anos, não quer apenas usar o futebol para melhorar a sua imagem de autocrata cruel e déspota.
A grande ambição do príncipe é realizar um programa pessoal que, sob a bandeira da Visão 2030, procura redesenhar as bases económicas e sociais do seu país.
O futebol é um pilar da nova visão e um meio de avançar. O Estado saudita apresentou a sua candidatura para acolher o Mundial de 2034 e anuncia um orçamento de mais de 700.000 milhões de euros do fundo soberano para criar infraestruturas e estimular a competitividade dos clubes locais.
Pensando nisso contratou Ronaldo, o melhor embaixador para se falar do que quer que seja. Muitos criticam-no, mas Ronaldo é o melhor embaixador de Portugal e não há dinheiro que pague isso. A qualquer país que visito e se disser que sou português, o nome que vem logo à baila é Ronaldo. Isso diz tudo.
O que nós, portugueses nem sempre sabemos aproveitar, outros o fazem com perícia, inteligência e sem azedume.
Eu vou seguir esta liga pela presença de Ronaldo, sempre o acompanhei e vou acompanhá-lo até ao fim da sua carreira.
Ronaldo para onde vai atrai interesse, é o pioneiro do futebol saudita e fez com que outros grandes jogadores seguissem o seu caminho. Desde a chegada de Ronaldo, que aufere 200 milhões por época, a vinda de novas vedetas foi um ápice: Benzema ( ex-colega de Ronaldo); Fabinho, Firmino, Henderson, ( todos do Liverpool); Rúben Neves ( ex- Wolves); Mané ( ex- Bayern Munique); Kanté ( ex-Chelsea); Koulibaly (ex-Chelsea); entre outros.
O regime tributário ajuda a seduzir jogadores de nomeada. Jogadores nascidos no estrangeiro e residentes na Arábia Saudita não pagam impostos.
O dinheiro é um aliciante e torna a Arábia Saudita muito influente. Penso que a tendência vai ser essa e iremos conviver com isso. O mercado na Europa vai fechar no final de Agosto, porém o mercado de transferências saudita só fecha a 20 de Setembro. Não tenho dúvidas que vai haver mexidas e mudanças bombásticas até lá. A FIFA e a UEFA deveriam uniformizar o mercado de transferências para um âmbito mundial.
Esta explosão de grandes contratações é nova e pensada.
Mohammed bin Salman, quer tornar o futebol saudita uma potência, quer libertar-se da dependência do petróleo, desenvolvendo outras indústrias como o Turismo.
É capaz de o conseguir fazer, tem meios e condições para o alcançar. O Qatar realizou a Copa do Mundo em 2022 . A Arábia Saudita tem 40 milhões de habitantes, o Qatar tem 2 milhões de habitantes e só tem gás; Abu Dhabi produz 3,5 milhões de barris por dia; A Arábia Saudita produz 13,5 milhões por dia.
A MLS não tem esta capacidade de aliciar tantos jogadores desta qualidade. Messi não é Ronaldo e no Inter de Miami parece a filial do Barcelona reumático com Busquets, Suárez e Jordi Alba.
É nisso que gosto de Ronaldo, decide sozinho e não está à espera de terceiros e que os amigos vão com ele.
Nota: Fui ver a final da Supertaça a Aveiro. O FC Porto na 1.ª parte foi superior, mas não conseguiu concretizar esse ascendente em golos. E, no futebol quem não marca arrisca-se a sofrer. Na 2.ª parte a mexida de Schmidt na equipa do Benfica fez toda a diferença. A entrada de Musa e a genialidade de Di María, jogador de nível mundial, fizeram o resto. Sérgio Conceição não é um santo, mas a sua expulsão é excessiva.
