Mourinho na Roma
Há sempre a eterna discussão qual é o melhor treinador do Mundo: Guardiola ou Mourinho? É uma discussão sem fim, porém, há outros treinadores que merecem ser destacados. Por um lado, Ancelotti que não fica atrás de ninguém e teve a inteligência de saber herdar e melhorar o que fez Mourinho, anteriormente, no Real Madrid. Por outro lado, Klopp, o alemão mais latino que conheço, que é prodigioso na integração de jogadores, isso vê-se no Liverpool.
Mourinho, na sua segunda passagem no Chelsea, não foi feliz, mas antes foi campeão, algo, notável naquela altura em que a hegemonia de Ferguson no Manchester United era evidente.
Quando rumou ao Manchester United e, a seguir, ao Tottenham, à posteriori, verifica-se que são clubes com enormes problemas de gestão e de confiança. Quem lhe seguiu pouco ou nada tem feito, mas reconheço que a sua chama apagou-se um pouco.
Mourinho na Roma , neste seu primeiro ano, tem tido altos e baixos, mas já vai em 5.º lugar e está encaminhado para seguir em frente na Taça das Confederações.
Há uma tendência para se considerar Guardiola, melhor que Mourinho, mas não nos podemos esquecer que conquistou títulos nacionais em quatro países ( Portugal, Inglaterra, Espanha e Itália) e a Liga dos Campeões em dois clubes diferentes ( FC Porto e Inter).
Recentemente, Guardiola disse o seguinte: " a rivalidade com José Mourinho foi muito boa. Aprendi muito sobre mim mesmo. Cresci como treinador. Ele empurrou-me para outro nível como treinador. Ele obrigou-me a colocar a equipa noutro patamar".
Algo interessante que diz que por vezes a rivalidade é salutar e obriga a dar um pouco mais de nós mesmo, assim, aconteceu com a rivalidade entre Messi e Ronaldo.
Eu prefiro Mourinho a Guardiola. Mourinho é frontal, Guardiola é dissimulado. Guardiola prefere manietar o adversário com bola e pela forma como coloca os seus jogadores em campo. Ao invés, Mourinho, pouco se importa da bola, como ele diz ter a bola não é sinónimo de vencermos. Os seus contra-ataques são letais e mortíferos. Mourinho sempre trabalhou a mente dos jogadores.
O seu feitio é explosivo e afirmativo, mas está mais sereno e ponderado, contudo, continua com as suas tiradas e observações de mestre.
Félix Afena-Gyan, jogador a quem Mourinho deu uns sapatos Balenciaga, foi apanhado numa festa no meio de um processo de recuperação. Foi levado por Mourinho para a serie A e tinha feito bons jogos e com golos decisivos, como traiu a sua confiança foi para a equipa B da Roma.
Mourinho é amigo e como um pai no balneário, mas não admite traições.
Mourinho, sempre atento aos detalhes e tudo que diz respeito ao futebol e à sua Roma não gostou da forma como um jornalista o criticou na rádio. Na conferência de imprensa não deixou passar esse assunto e ripostou de forma contundente: " ouvi-te na rádio ontem e foste mais agressivo, muito mais critico, muito mais violento. Eu não estava à espera de uma pergunta tão fácil. A conclusão que chego é que tu és super agressivo e super violento na rádio, mas depois vens cá e ficas cheio de medo à minha frente".
Estes episódios mostram o estilo de Mourinho e a sua forma de ser e estar. Contundente e não perdoa, logo que possa responde à letra. A sua relação com alguns jornalistas sempre foi complicada e difícil. Porventura essas questiúnculas sejam a motivação para a sua capacidade de se transcender e avançar.
Mourinho gosta de pressão e quando não tem pressão, arranja-a como tónico para os seus propósitos – vencer e ser melhor do que os outros.
Mourinho é dos melhores treinadores do Mundo. Há quem diga que a sua estrela está a empalidecer, porém tem que se ser muito bom para se manter tantos anos ao mais alto nível.
Nota: O Real Madrid nunca se rende, mas com alguma sorte à mistura. O Chelsea durante largos períodos de jogo foi superior, porém, o futebol, por vezes, é madrasto.
