Joaquim Jorge
Joaquim Jorge Fundador do Clube dos Pensadores

Ronaldo e o aeroporto

O Aeroporto Internacional da Madeira passou a ter, a partir da semana passada, associado o nome do futebolista Cristiano Ronaldo, numa cerimónia que contou com a presença do Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, do primeiro-ministro, António Costa.

Cristiano Ronaldo é alguém que pertence aos portugueses, não é só da Madeira, pela sua unanimidade no reconhecimento, do seu mérito e na sua categoria. Não é de nenhum governo, nem de nenhum clube. É um símbolo da selecção nacional e é alguém querido dos portugueses.

Sou a favor que se devem fazer-se homenagens em vida e não depois de uma pessoa morrer. Ronaldo é um enorme jogador e um grande homem mas acho um exagero colocar o seu nome num aeroporto.
O critério de escolha não pode ser feito só porque alguém se lembrou e o disse e, de forma emocional e por impulso fazê-lo.

Ronaldo é um vulto do desporto nacional e internacional. Ter o seu nome num aeroporto é pouco para a sua imortalidade. Nunca será esquecido pelos seus golos de cabeça, os seus livres, as suas jogadas de partir os rins aos adversários, a sua arte e magia no jogo. O resto acho um exagero que me desculpe o Ronaldo que tanto gosto e admiro. O nome Cristiano Ronaldo, só por si, constitui uma grande promoção e publicidade para a Madeira e para Portugal.

O nome Aeroporto da Madeira deveria ser mantido. Há outras individualidades que fizeram tanto pela Madeira e não têm sequer o nome numa rua.

Um aeroporto deve ter o nome dessa localidade, é a melhor forma de promoção e de marketing dessa terra. O aeroporto já era da Madeira muito anos, antes, de Cristiano Ronaldo ter nascido.

Cristiano Ronaldo já tem uma estátua, uma praça e um hotel com o seu nome no Funchal. Tudo tem um limite!

Há tantos portugueses importantes, como médicos e investigadores que todos os dias salvam vidas com os seus conhecimentos e ninguém fala neles, nem aparecem nas páginas dos jornais.

A imagem de Ronaldo está por demais divulgada e ultrapassa fronteiras. Ronaldo não é da Madeira, não é de Portugal, é um embaixador do futebol no Mundo. Ronaldo é um cidadão à escala planetária.

Cristiano Ronaldo, cujas qualidades atléticas ficariam, com certeza, muito mais adequadas e consagradas num estádio ou outra instalação desportiva. Assim aconteceu com atletas olímpicos portugueses: Carlos Lopes tem um pavilhão com o seu nome ou Rosa Mota que tem no Porto um pavilhão com o seu nome.

O aeroporto da Madeira é conhecido como uma obra excepcional de engenharia premiada mundialmente por diversas vezes, para além de ser um dos aeroportos mais perigosos do mundo. Nada tem que ver com futebol.

Cristiano Ronaldo é o melhor do mundo na sua área e é um orgulho tê-lo como compatriota, mas a atribuição do seu nome num aeroporto é descabido e prova que o futebol domina a sociedade portuguesa.

Ronaldo é enorme mas não se pode comparar a Almeida Garrett; Aquilino Ribeiro; Guerra Junqueiro; João de Deus, Eça de Queiroz, Egas Moniz, Saramago, entre outros.


FN: Vi o jogo Benfica-FC Porto na televisão, accionei a BTV por um mês, para ver o jogo. Infelizmente, antes do jogo começar, os distúrbios do costume que levam a que muita gente não vá aos estádios de futebol.
O jogo em si, foi agradável e vivo. Tenho dúvidas no penálti sobre Jonas e o Porto mostrou personalidade. Depois do sufoco inicial , o FC Porto mandou no jogo e merecia ao intervalo estar empatado. Na, segunda parte, justificou porque está em crescendo. Lamento os comentadores da BTV facciosos e, sem uma análise isenta e criteriosa. Não sou adepto do Porto, mas por vez, tenho que lhes dar razão. Os benfiquistas pensam que são donos de Portugal e do Mundo. Um bocadinho menos de idolatria e mais de realidade seria importante. Vamos ter campeonato até ao fim.
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