Tempo neste Europeu
No futebol sempre houve tempo. É algo que aprendi a ver nos jogos de futebol, principalmente nos jogos da liga inglesa. Até ao apito final do árbitro há jogo.
Portugal até arranjou tempo para se apurar. Por outro lado, as coisas interessantes sempre acontecem à última hora.
O futebol tem emoção e plenitude em momentos culminantes e adquirem um sentido profundo. Não me recordo de um Europeu em que só nos minutos finais se marcassem tantos golos. Parece um Europeu de futebol tardio: golos tardios, mas importantes.
A França, Inglaterra, Hungria ou a Irlanda do Norte marcaram nos desesperados minutos próximos dos 90 ou para lá dos 90 minutos. Quando nos sentimos tentados a pensar que já não há tempo para nada. É como se faltasse esperança em marcar. Eis que acontece um golo!
A agonia do tempo e os jogos de Portugal é um assunto de última hora. É nos constantes e sucessivos apuramentos à rasca e à última hora, em que se tem que fazer contas e puxar pela calculadora.
Portugal contra a Áustria mesmo no final do jogo podia com o penálti ter resolvido as coisas a seu favor. Não foi por falta de tempo. Mas não o conseguiu fazer.
A confiança excessiva em si mesmo e o seu entusiasmo pensando em que pode passar esta fase e chegar a campeão europeu, esquecendo-se que tem que ser melhor equipa e vencer. Recorda-me a fé em milagres. As coisas estavam muito complicadas. Mas haja tempo e fé.
Com a Hungria na melhor das hipóteses até um empate podia valer-nos. Foi o que aconteceu, isto é, passar a fase de grupos sem vencer qualquer jogo. Mas era bem melhor ter vencido. O tempo estava a escassear, mas podíamos ter ficado em segundo sem ganhar nenhum jogo.
No jogo contra a Áustria, Portugal jogou pouco e Ronaldo era melhor continuar de férias. Portugal no segundo tempo melhorou um pouco. Ronaldo deu um ar da sua graça. Fernando Santos tirou Quaresma não sei porquê. Discriminação sem nexo. O atacante mais esclarecido.
Querem-nos fazer crer que esta equipa é candidata a vencer o Europeu!
Os portugueses já não acreditam nos políticos, agora, nos futebolistas havia alguma esperança.
Estou farto de ser enganado e de me criarem falsas expectativas.
O futebol é como jogo do rapa: rapa, tira, deixa e põe. Será importante reflectir e descer à terra. Com tempo ou sem tempo, lá arranjamos tempo. Ou ganhávamos à Hungria ou íamos para casa. Mas tivemos sorte, mesmo em terceiro passamos aos oitavos-de-final.
Portugal foi salvo por Ronaldo e pelo goal-average. Contra a Hungria gostei da atitude, do empenho e de Ronaldo. O golo de calcanhar é candidato a melhor golo deste Europeu.
Ver Portugal é um sofrimento, mas ver Quaresma e Ronaldo é um prazer.
O tempo da ilusão e da grandeza deu lugar ao tempo da tristeza e da desilusão, esperemos que não venha o tempo do ridículo e consigamos continuar a sonhar.
Espero que tenha acabado a mania de embandeirar em arco. Até sábado.
