A discussão dos descontos
Todos os acontecimentos e/ou discussões têm sempre vários ângulos. A questão dos tempos de desconto que os árbitros dão no final de cada jogo não é tema diferente. No início desta época os árbitros receberam instruções para serem mais exigentes no controlo das perdas de tempo e respetiva compensação: 45 segundos por cada paragem para substituições, 1 minuto por cada golo e todo o tempo perdido em assistência a jogadores lesionados e outras perdas de tempo, deveriam ser somados e acrescentados matematicamente no final de cada parte do jogo. Treinadores e jogadores manifestaram-se dizendo que não fazia sentido o que estava a acontecer com tão exagerados tempos de descontos. A arbitragem, como quase sempre, ajustou-se ao que o futebol pedia e voltou a ser menos matemática na contabilização dos tempos perdidos. Claro que o futebol (os clubes) só defendem certas medidas até que essas os prejudiquem ou, pelo menos, não os possam ajudar. É certo que 6 minutos foi pouco tempo de compensação, considerando o que se passou na 2ª parte do V. Guimarães-Benfica. É usar os números que partilhei e poderá o leitor fazer as contas. Mas também é verdade que, quando dá jeito (e todos os clubes são iguais), o tempo de descontos é sempre ‘exagerado’. O desafio da ética passa por sermos capazes de manter uma opinião inalterada e princípios inabalados independente das consequências que opiniões/princípios possam ter sobre os nossos interesses. É difícil? Sim. Daí chamar-se conflito/desafio ético.
