A utopia da ética

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"Nas últimas semanas ouvi coisas como arruaceiro, javardo, gentalha, ordinário, delinquente, etc., até que ao final da segunda semana começaram a falar dos meus pais. Ao que isto chegou! É demasiado, é feio. A paixão de um jogo de futebol não justifica o que eu e o Paulo Sérgio fizemos, mas nada justifica o que disseram nas últimas duas semanas. Foi muito grave...". Estas declarações de Sérgio Conceição, com quem curiosamente me cruzei inúmeras vezes como quarto árbitro e com quem nunca tive problemas, têm menos de um mês e referem-se à forma abusiva, ofensiva e grosseira como foi tratado após um episódio menos feliz da sua atividade profissional. Percebo o sentimento e a mágoa do treinador do FC Porto perante a falta de noção que tantas vezes assola o nosso futebol, confundindo uma decisão ou um erro com as competências profissionais ou os valores morais e éticos de uma pessoa. Seria interessante que a máquina de comunicação do FC Porto (neste caso do FC Porto, mas a carapuça serve a Benfica, Sporting, Sp. Braga, etc.) recordasse aquilo que o seu treinador sentiu e viveu, há bem pouco tempo, antes de deitar gasolina para o fogo que se acendeu após uma arbitragem infeliz no jogo deste fim de semana. Mas defender e exigir comportamentos éticos é sempre mais fácil quando se trata dos outros. Obrigarmo-nos a ser éticos quando isso ‘nos prejudica’ é, pelo que temos visto no contexto do nosso futebol, mera utopia.

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