Contribuir com ‘menos apito’
Foram publicadas as conclusões de um estudo, ao nível de 36 ligas europeias, onde se analisou a relação entre oportunidades de golo e tempo útil de jogo, para determinar o nível de ‘abertura’ das partidas (ou ‘game openness’). Portugal ficou no 25º lugar, o que confirma a pertinência das discussões sobre tempo útil de jogo na nossa Liga. Os treinadores queixam-se, mas a maior parte pouco faz para alterar isto. Os adeptos queixam-se, mas se essas perdas de tempo permitirem que o seu clube ganhe, poucos reclamam. Todos apontam dedos. Quase ninguém faz nada. Os árbitros não se queixam, pois não falam publicamente sobre isso, mas também não gostam de integrar um jogo que esteja sempre interrompido. Sabem que, num futebol português em que a responsabilidade é sempre dos outros, têm de ser peça atuante na resolução do problema. Temos visto alguns a arriscar com critério técnico mais largo para interromper menos vezes a partida. O CA da FPF chegou a dar indicações nesse sentido. Às vezes, os jogadores percebem, respeitam e temos melhor futebol. Outras apenas se aproveitam para ‘esticar a corda ao limite’, estragando os jogos com faltas muito duras. Estará o futebol português preparado para que os árbitros contribuam, com menos apito, para aumentar o tempo útil de jogo?
