Uma das discussões mais recorrentes sobre arbitragem prende-se com os critérios. Sempre que surgem dois lances semelhantes com decisões diferentes, conclui-se de imediato que os “critérios mudaram” ou que os árbitros “não têm critério”. Mas, muitas vezes, o problema não está aí. Importa distinguir duas coisas: critério de análise e observação do lance. O critério é o princípio usado para interpretar tecnicamente uma situação; a observação é aquilo que o árbitro conseguiu ver, como viu e em que condições viu. E esta diferença é essencial. Dois lances semelhantes com decisões distintas não significam, necessariamente, critérios diferentes. Pode ter existido o mesmo critério, mas uma observação deficiente: pior posicionamento, linha de visão tapada, perceção incompleta do contacto, da intensidade ou do ponto de impacto. Nesses casos, o erro nasce mais na observação do que na análise. O que varia é, muitas vezes, a capacidade de cada árbitro para identificar, no momento e com rigor, os elementos do lance que permitem aplicar bem esse critério. E isso remete-nos para uma verdade nem sempre confortável: há árbitros mais competentes do que outros. Devemos ser exigentes com a formação e com a clareza dos critérios transmitidos aos árbitros. Mas também reconhecer que existe sempre um fator humano na análise dos lances, e que esse fator pesa, muitas vezes, mais na decisão final do que o próprio critério.