Guerras de poder
Sporting, Benfica e FC Porto são, por esta ordem, os três primeiros classificados da nossa liga. Após oito jornadas é curioso observar que grande parte das vitórias que estes clubes têm aconteceram com golos obtidos em tempo de compensação ou nos últimos minutos. Isto é factual. Este dado estatístico vem por a nu o facto de que a diferença entre as equipas ditas grandes e as restantes já não é assim tão relevante no futebol jogado dentro do campo. Viva a competitividade da nossa liga! Já fora do campo estes clubes continuam muito à frente dos restantes. O ruído que fazem, nomeadamente contra as arbitragens, continua a ter a força suficiente para distrair os seus adeptos relativamente à menor grandeza que cada um deles vai, jornada a jornada, exibindo em campo. É o futebol do ataque preventivo (fora de campo) para justificar desaires futuros inevitáveis: não há lugar para todos na Liga dos Campeões da próxima época e isso vai implicar graves problemas de saúde financeira a quem ficar de fora. A guerra contra a arbitragem, independentemente da menor ou maior qualidade do trabalho dos árbitros, será uma inevitabilidade. Saber que estarão sempre sob ataque, quer decidam bem, quer decidam mal, não deve desresponsabilizar os árbitros. Há sempre oportunidades de melhoria, que só surgirá com trabalho e com a proteção devida. E sobre esta tão necessária proteção... esperemos que as eleições que se avizinham na Federação Portuguesa de Futebol não deixem os árbitros numa posição de fragilidade por consequência de uma outra guerra: a guerra pelo poder, vulgo tacho.
