O outro papel do desporto
Como disse Arrigo Sachi, "o futebol é a coisa mais importante entre as coisas menos importantes" e, nesse sentido, hoje não venho escrever sobre penáltis, golos ou expulsões. A crise na Ucrânia é, incontornavelmente, o assunto do momento e, o que lá se passa, tem repercussão em todas as áreas da(s) sociedade(s). Se todos somos, direta ou indiretamente, impactados pelo absurdo comportamento da Rússia (ou do seu líder), todos temos o dever de atuar. COI, FIFA, UEFA e mais um sem número de confederações e federações já tomaram uma posição: impedir seleções, clubes e atletas russos de participar nas suas provas. Se considero injusto que milhares de atletas russos, muitos até discordando da guerra, se vejam impedidos de desenvolver a sua atividade ‘apenas’ pela sua nacionalidade? Sim. Individualmente não mereciam ser ‘castigados’ assim. Mas trata-se de algo maior do que cada um deles. O desporto tem sido, historicamente, instrumento tanto de afirmação, como fragilidade de regimes e estados. A proibição da representação de um país em grandes provas pode criar insatisfação dos seus povos. Esse poderá vir a ser, neste caso, mais um motivo que leve os russos a revoltarem-se contra a sua liderança e a buscarem uma mudança. Vamos acreditar que sim. E, aí, o desporto terá feito a sua parte.
