Relatório de jogo

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O trabalho do árbitro num determinado jogo não termina com o apito final. Há uma última responsabilidade, menos visível mas igualmente importante: escrever o relatório de jogo. Naturalmente, a primeira exigência é que o relatório corresponda à verdade dos factos. Mas isso não chega. É preciso que seja claro, objetivo e que descreva os acontecimentos de forma suficientemente rigorosa, para que quem o vai analisar perceba exatamente o que aconteceu. E, sempre que estejam em causa situações disciplinares, importa também que exista um correto enquadramento nas Leis do Jogo. Em campo, o árbitro decide em segundos, sob pressão, em movimento e muitas vezes com informação incompleta. Aceitamos, por isso, que exista uma margem de erro humano. O relatório é diferente. É escrito depois do jogo, na tranquilidade do balneário, com tempo para organizar os factos, escolher as palavras e garantir que aquilo que fica registado corresponde ao sucedido. Uma descrição ambígua, contraditória ou tecnicamente mal enquadrada pode criar problemas posteriores, condicionar decisões disciplinares e até transformar um episódio simples numa polémica desnecessária. O futebol já tem de conviver com os erros dos árbitros dentro das quatro linhas. Não precisa de acrescentar erros ‘administrativos’, que podem e devem ser evitados. O relatório não é burocracia. É parte integrante da responsabilidade do árbitro e deve merecer o mesmo rigor que se exige a uma decisão em campo.

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