A 'coerência' de Pinheiro
É já uma das grandes figuras da presente edição da Liga. Infelizmente, não é futebolista, nem treinador, muito menos dirigente. É, como o caro leitor já deve ter percebido, um árbitro. João Pinheiro, de seu nome, 29 anos, minhoto de Vila Nova de Famalicão, advogado, com 23 jogos dirigidos no escalão principal – mostrou 44 vezes o amarelo – o último de má memória para o Benfica. Como já tinha acontecido, sequencialmente, a FC Porto e Sporting. Ou seja: no que a erros diz respeito, nada se pode apontar à ‘coerência’ deste juiz, considerado por especialistas como uma das grandes esperanças da arbitragem nacional. Duvido. Melhor faria se se dedicasse apenas à advocacia… Pragmaticamente: em Setúbal, na jornada 9, escamoteia um penálti sobre o portista Otávio; no Funchal, nove rondas depois, um dos seus auxiliares invalida um golo limpinho como água de uma levada ao leão Alan Ruiz; finalmente, esta segunda-feira, deixa passar uma entrada de Nuno Pinto sobre Carrillo, merecedora de castigo máximo. Tudo somado, pedem-me para ser mais contemplativo? Não consigo. É mais forte do que eu. Para mais quando a maioria dos árbitros sente, e defende, que o seu mundo não é o dos comuns mortais.
Portanto, caso as duas grandes penalidades tivessem sido assinaladas e concretizadas, o Benfica teria mais um ponto, FC Porto e Sporting mais dois. Ou seja, no mínimo, o clássico do Dragão teria os dois primeiros da tabela com o mesmo número de pontos e os leões posicionados a seis pontos de ambos, mas isolados na terceira posição. Assim, o jogo do Dragão, depois do desaire benfiquista no Sado, assume importância redobrada, pois, mais uma vez, um campeonato que parecia acabado está para durar. Pinheiros e afins incluídos.
