Sobre praias
Os árbitros existem para interferir no jogo e para terem interferência no resultado. Sem árbitros ninguém interferiria no resultado, é certo, mas as ocorrências naturais ao jogo seriam dirimidas por quem? Pelos jogadores, pelos gritos da multidão na bancada, pelos donos da bola? Basta assistirmos a uma futebolada familiar de praia para nos capacitarmos da falta que os árbitros fazem. Quantos de nós já testemunhámos, nesses vibrantes despiques amadores à beira-mar, aquele momento em que um futebolista-banhista de qualquer idade, zangado com a marcha do marcador, pega na bola e corre para a água de modo a interromper, à força de mergulhos, o desenrolar de uma partida que lhe estava a ser adversa? É esta a falta que os árbitros fazem. Eles são indispensáveis porque sem árbitros a interferir no resultado em obediência total às leis da FIFA não haveria nenhuma futebolada mais ou menos a sério que não acabasse em discussões azedas ou mesmo em insultos de fazer corar todos os arguidos do defunto processo do Apito Dourado que, como é do conhecimento geral, eram imensos em número e em predisposição.