Floresta de pernas

Leonor Pinhão
Leonor Pinhão Jornalista

A bazófia gera ilusões de poder

A notícia da renovação do contrato de Eliseu caiu bem entre os benfiquistas. A somar aos atributos do futebolista há a memória fresca da lambreta da festa de Maio que deu a volta ao mundo pela criatividade e perícia postas na celebração. Sendo uma iniciativa individual logo passou a paixão coletiva tal foi o sucesso da iniciativa motorizada do jogador.

Apesar das garantias prestadas pelo treinador do FC Porto sobre a inevitabilidade de o próximo título ir parar ao Dragão e apesar das garantias prestadas pelo presidente do Sporting sobre a inevitabilidade de o mesmo título ir parar a Alvalade e reconhecendo, facilmente, os benfiquistas que o caminho a percorrer em 2017/2018 será árduo, ninguém poderá levar a mal o facto de haver uns quantos milhões em Portugal que se deitam sonhadoramente a adivinhar como poderá Eliseu surpreender-nos no próximo mês de Maio dando-se o caso de, contra todas as promessas de sucessos alheios, o título for parar à Luz pelo quinto ano consecutivo. Mas não foi por isso, certamente, que o Benfica prolongou por mais uma temporada o vínculo com o seu sempre disponível lateral-esquerdo. Acelera, Eliseu.

Famoso há décadas pela sua frase-mistério-insondável "vocês sabem do que estou a falar", Octávio Machado foi surpreendentemente pródigo em pormenores e em destinatários para os recados que entendeu dar na sua entrevista à CMTV. A análise das questões que se prendem com a vida da equipa de futebol do Sporting e com a vida da equipa de dirigentes do Sporting, por questão de bom senso, deve ser deixada a cargo dos comentadores, dos jornalistas e dos adeptos afetos ao clube de Alvalade.

Octávio levantou, no entanto, uma questão que tem a ver com a chamada "comunicação social" e que não deixa de ser intrigante para quem – por hobby ou por resquícios do velho ofício – se interessa pela evolução das artes da informação e do jornalismo em Portugal. Afirmou, perentoriamente, o ex-diretor do futebol do Sporting que, no decurso do seu moroso processo de abandono das funções, lhe foi oferecido por um responsável do clube a hipótese de escolher qual o programa de televisão em que mais gostaria de atuar integrando um dos variados painéis de comentadores de coisas da bola. Ora isto não faz sentido. Não faz sentido e é ofensivo da reputação de estações como a TVI e a CMTV serem os clubes – o Sporting, neste caso – a usar um poder que lhes permitiria impor os seus comentadores e até a retirá-los de cena como se de um mero presidente da Liga se tratassem.

Não será de duvidar da palavra de Octávio. É provável que a proposta de escolher uma estação de televisão lhe tenha sido feita. Mas é de duvidar – e muito – da suposta autoridade para o efeito do "programador" que lhe fez a proposta. A bazófia gera ilusões de poder. Só pode ter sido isso.

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