Floresta de pernas

Leonor Pinhão
Leonor Pinhão Jornalista

A nossa crise chamou-se Jonas

Facto notável, este de o Benfica ter chegado ao fim de dezembro vivo para todas as competições nacionais e internacionais que se dispôs a abordar com a seriedade que o seu nome, história e ambição lhe recomendam. E não foi nada fácil ultrapassar a tormentosa série de circunstâncias que, por períodos mais ou menos longos, afastou dos trabalhos da sua equipa de futebol jogadores justamente considerados fulcrais para o êxito. Agora, que a temporada se aproxima do seu meio e perante resultados que garantem uma consoada pacífica, é caso para se dizer que todos os jogadores do Benfica se tornaram fulcrais, mesmo os menos estimados como tal pela crítica sempre exigente e também pelos adeptos frequentemente impiedosos nos seus rankings e afetos.

Um dos méritos maiores de Rui Vitória no conturbado arranque hospitalar de 2016/2017 foi o de explicar bem cedo a toda a gente interessada que, ao contrário do que seria de supor, cada lesão – e que rodopio de lesões! – seria encarada como "uma oportunidade e não como um drama". O treinador não falhou na sua previsão e os jogadores chamados a cobrir as ausências nunca falharam no que lhes foi exigido e não foi pouco. Talvez este primado da confiança somado a um percurso muito positivo da equipa explique a indiferença com que um caloroso vizinho da bancada recebeu na última quarta-feira a notícia de que, ao contrário do que tinha sucedido no jogo com o Estoril, seria Mitroglou o titular contra o Rio Ave ficando Raúl Jiménez no banco a descansar. "Tanto faz", disse acabando de sorver o seu cafezinho antes de se dirigir tranquilamente para o seu lugar.

Na verdade, não "tanto faz" porque se trata de modelos diferentes de jogo mas se nos lembrarmos de que o Benfica mal começou a época e já tinha os seus três avançados – o grego, o mexicano e Jonas – na enfermaria e de que, com estas baixas, não se atrasou em nenhuma das corridas, talvez se justifique a gritante falta de ‘drama’ que nos sossega a cada contrariedade.

Por tudo isto, o regresso de Jonas, o mais fulcral de todos os fulcrais, foi recebido com alegria esfusiante pelos adeptos. Embora não se tenha notado muito, disfarçada que foi pelo empenho geral, o Benfica resistiu categoricamente à crise de meses provocada pela ausência do seu melhor jogador sem que a dita crise molestasse minimamente as ambições da casa. Um feliz Natal!

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