Floresta de pernas

Leonor Pinhão
Leonor Pinhão

À porta fechada, fechadíssima, por favor, IPDJ!

A melhor coisa que podia acontecer ao Benfica era o jogo com o Porto ser à porta fechada. Explicações, não sei dar. É só a intuição a falar. E, nestas como em outras matérias, a intuição é que sabe. Assim sendo, uma vez mais, cá vai: a melhor coisa que de longe poderia acontecer ao Benfica era ver-se condenado a disputar o seu jogo com o Porto à porta fechada. E é exatamente por esta razão, por ser a melhor coisa que podia acontecer ao Benfica, que tal coisa não vai acontecer. Não é porque não haja coragem política ou desportiva para fechar o Estádio da Luz ao público por um ou dois ou três jogos ou mesmo por uma década. Há. Dessa coragem há. Não há é da outra. E porquê? Olhem, porque, quer interna quer externamente, o que o Benfica se arriscava a ganhar no presente, no futuro imediato e no longínquo se o seu jogo com o Porto fosse à porta fechada, compensá-lo-ia com abundância de todos estes pequenos e tão transitórios incómodos.
O próprio presidente do Porto, que ainda saberá prestar atenção ao seu instinto, tem abordado a situação em modo tremeliques. Ouçam-no bem. "Ainda bem que o jogo não vai ser à porta fechada porque o futebol é um espetáculo para ser vivido pelos adeptos", disse aos jornalistas sem nada que se parecesse com a ironia do costume. Carrega, IPDJ! Coragem, IPDJ! Atrevam-se lá a desmentir o velhote!

Durou escassos 14 minutos o serviço inaugural de Jardel como 1.º capitão do Benfica. O serviço foi interrompido porque Jardel se magoou num pé e teve de ser substituído por um companheiro estreante nestas responsabilidades, muito estreante mesmo como se acabaria por constatar. Jardel era o sub-capitão do Benfica até ao dia, no princípio desta semana, em que Luisão anunciou a retirada. Agora o Benfica não tem Luisão, não tem Jardel e não tem Conti para o seu próximo compromisso caseiro. O soldado desconhecido Lema dará certamente conta do recado para espanto de toda a gente. E até Luisão, depois de gozar uma semana e meia de reforma, poderá voltar ao trabalho para fazer uma perninha no clássico. E que perninha.

Esta direção da Liga de Clubes revela-se tal-qual uma nulidade. Ou talvez não. Talvez seja de uma benevolência descabida qualificar como nulidade um órgão que se demite das suas responsabilidades mais básicas. Por exemplo, as de velar pelo bom nome das competições profissionais organizadas sob a sua égide. Permanentemente e pelas vias oficiais, vai-se assistindo desde o arranque das provas da corrente temporada, que ainda vai no adro, a uma troca de insultos e de insinuações entre os dois emblemas que por cá costumam disputar os títulos principais. Como não podia deixar de ser, é a arbitragem o foco de todas acusações, denúncias e chorares lancinantes. A direção da Liga faz ouvidos de mercador e, inquestionada, lá vai mantendo a pose de pechisbeque. É isto ou é má consciência? É má consciência.

E o que choveu em Chaves? Até parecia mentira.

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