Floresta de pernas

Leonor Pinhão
Leonor Pinhão

A versão pobrezinha do problema

Não foi há muito tempo que um dirigente do Bayern de Munique apontou aquilo a que chamou de "fraca competitividade da Bundesliga" como explicação para o facto de o potentado bávaro não conseguir estar todos os anos presente na final da Liga dos Campeões tal como lhe competiria em função do orçamento fabuloso de que dispõe. O Bayern soma títulos internos com uma perna às costas, só tem nos seus quadros jogadores de nível mundial e é o representante de um país poderoso. Falta-lhe então consagrar-se como rei indisputado do continente a que pertence ou, pelo menos, meter-se nessa discussão ano após ano, o que nem sempre tem acontecido.

Para nós, portugueses, ouvir falar da fraca competitividade do campeonato alemão não pode deixar de soar esquisitamente. Ou a mania das grandezas, o que seria menos desculpável aos nossos olhos meridionais. Mas compreende-se que a diferença de potencial do Bayern de Munique (e de mais um ou dois clubes alemães) para os demais emblemas que disputam a Bundesliga possa servir de justificação para as dificuldades que vai encontrando nas etapas finais da grande competição europeia. É tudo tão fácil e pouco intenso na nossa casa que, quando encontramos lá fora adversários de outro nível, atrapalhamo-nos por falta de hábito às tais intensidades superiores dos grandes confrontos internacionais.

Excetuando a diferença abissal dos orçamentos, o que se passa com os "grandes" em Portugal não é muito diferente do que se passa com os "enormes" na Alemanha. Pode-se até dizer que somos a versão pobrezinha do mesmo problema. Enquanto o Bayern de Munique se queixa da falta de competitividade interna que não lhe permite ganhar a Liga dos Campeões todos os anos, os clubes portugueses que andam nas mesmas andanças – o Benfica e o Porto, normalmente – sofrem da mesma falta de competitividade de trazer por casa, sofrem ainda da falta de orçamento e sofrem, regularmente, grandes cabazadas internacionais.

O último jogo do FC Porto antes de receber o Liverpool foi em Trás-os-Montes com o Desportivo de Chaves. Saldou-se numa vitória folgada da equipa de Sérgio Conceição no culminar de um jogo tranquilo. Foi um passeio, disse-se. E, de facto, foi. Não se trata de nenhuma raridade no campeonato português os "grandes", frequentemente, fazerem o que querem dos mais pequenos. É de tal modo norma que logo reina a suspeição quando o Benfica ou o FC Porto ou Sporting tropeçam por cá.

Assim sendo, a goleada e a exibição impostas pelo atual comandante da nossa Liga na deslocação a Chaves não foi, ao contrário do que concluiu na altura, um excelente preparo para a receção ao Liverpool nem, muito menos, um treino auspicioso para o importante jogo com o adversário estrangeiro que vinha a caminho. Não, o Chaves não foi o adversário ideal do FC Porto no fim-de-semana passado. Embora, de facto, parecesse.

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