Floresta de pernas

Leonor Pinhão
Leonor Pinhão Jornalista

Amor eterno

Para lá do resultado, que se aceita lindamente em função da empreitada, o que mais gostei no Porto-Benfica foi do beijo que o Luisão deu na cabeça do Maxi Pereira antes de o jogo começar. Não foi um beijo qualquer, foi magia. Teve o condão de dissipar na origem a tempestade anunciada. Sim, o clássico do "ódio eterno" – porque, sem que ninguém o contrariasse, foi a palavra de ordem lançada pelo líder da claque Superdragões nas vésperas do acontecimento – revelou-se um fraquíssimo desconchavo do ponto de vista do ódio eterno, esse espírito eticamente reclamado como condição sem a qual não seria possível ao Porto vencer o Benfica. A verdade é que não venceu, persistirão os supersticiosos e até alguns recém-doutorados quando confrontados com o resultado final que foi um empate.

É de crer que o próprio Nuno Espírito Santo, entre dois desenhos abstratos, tenha decidido lançar Maxi Pereira para o jogo no lugar do impecável Layun tendo por garantido o efeito destrutivo que a presença do ex-benfiquista uruguaio em campo não deixaria de provocar entre muitos dos seus amigos e antigos colegas de equipa mas não foi nada disso que aconteceu. Já na última temporada tinha sido Gaitán o único jogador do Benfica que se comoveu em campo face à presença de Maxi Pereira equipado com as cores adversárias nos dois jogos para o campeonato. Como o talentoso argentino foi vendido ao Atlético de Madrid no Verão passado esse problema deixou de existir. Ainda não havia um minuto de jogo no Dragão e já Cervi, justamente o substituto de Gaitán, tinha ludibriado o seu totalmente desconhecido Maxi Pereira num lance puro de velocidade a que acrescentou outros requintes de malvadez.

A culpa não foi de Nuno Espírito Santo por ter decidido meter o uruguaio a jogar contra a sua antiga equipa recomendando-lhe que fechasse o rosto durante aquela cerimónia simples que antecede os desafios quando, um a um, todos os jogadores se cumprimentam. A culpa foi de Luisão e do amor eterno a Maxi selado com um beijo à frente de toda a gente. Aliás, é também para isto que serve um grande capitão.

                                                                   *
Luís Figo assinou com Luís Filipe Vieira os termos de uma parceria que visa a prospeção de jovens talentos nas escolas de Lisboa. Aos 44 anos, Figo veio fazer "uma perninha" ao Benfica. Bem-vindo!




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