Floresta de pernas

Leonor Pinhão
Leonor Pinhão

Antes a mala do que Proença

Por estes dias tanto se falou de malas que mal se falou de árbitros. Eis a novidade da semana. Jornada a jornada desde que o campeonato arrancou não houve descanso para os árbitros quer no Facebook do presidente Carvalho quer nas alocuções, mais primitivas, de Otávio. Antes dos jogos, no meio dos jogos e depois dos jogos, não houve juiz nem bandeirinha que escapasse ao crivo analítico – chamemos-lhe assim – do Sporting.

Esta semana foi mais malas. E malas garantidamente isentas de impostos, assim foram e estarão convencidos os jogadores das equipas adversárias do Benfica. É normal, dizem. Ilegítimo mas normal. Foi-se a fé nos árbitros, instalou-se a fé nas malas e a Liga abriu um inquérito que, com naturalidade, será encerrado sem conclusões por altura dos Santos Populares quando o povo andar mais distraído.

Esta foi também a semana em que os presidentes do Sporting e do Porto confidenciaram com os seus botões – e são botões que nunca mais acabam – um sentido arrependimento formal pelo movimento que encabeçaram e que levou Pedro Proença à presidência da Liga de Clubes. Não é que as coisas administrativas não estejam a correr de feição. Ao contrário do que é suposto acontecer, jogos decisivos da penúltima jornada vão espraiar-se ao longo de três dias em vez de se disputarem rigorosamente à mesma hora como manda a decência e, no mínimo, o bom senso. É o progresso.

Mas neste mês Maio, por uma questão de superstição, dava mais jeito que Pedro Proença não se tivesse reformado tão precocemente, que não fosse presidente da Liga e fosse ainda árbitro. Em último ano de carreira, o melhor árbitro do mundo à beira da aposentação despedir-se-ia do futebol português apitando a final da Taça no Jamor para alegria de Pinto da Costa e, já agora, faria também uma perninha no Marítimo-Benfica de amanhã para alegria também de Pinto da Costa que já elegeu publicamente o nome do clube que quer ver campeão. Sempre eram duas alegrias.

Antes a mala do que Proença, será, no entanto, o sentimento generalizado entre benfiquistas. Mil vezes a mala.

                                                                  *

O treinador do Vitória de Guimarães disse que "Portugal vinha abaixo" se a sua equipa tivesse pontuado na Luz. No dia seguinte veio logo abaixo a estátua do nosso rei Sebastião na frontaria da Estação do Rossio. Não sei que interpretação dar a isto. Oh Portugal, hoje és nevoeiro, já dizia o poeta.

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