Burgueses mas sempre anjinhos

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A transmissão televisiva da decisão da Supertaça arrancou com a imagem de um coro entoando uma canção estrangeira sobre bons sentimentos seculares. Os cantores, alinhados numas quantas fileiras de assentos da bancada central, envergavam trajes dourados até aos pés e, ao pescoço, uma espécie de paramentos de cor roxa, o que é sempre mau sinal. Terminado o jogo, ficou-se com a ideia de que a exibição do Benfica foi de um modo geral fúnebre e o resultado fúnebre foi. Como produtora do espetáculo, a FPF fez bem em optar por um coro de abertura que fugisse ao reportório e ao guarda-roupa natalício. Se, no lugar daqueles cantores de paramentos roxos, aparecessem outros coralistas mais à moda da época disfarçados de anjinhos, com asas e tudo, não faltaria quem criticasse a organização pela falta de respeito pelo Benfica, os anjinhos.

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