Corrigindo a História

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Atenção, muita atenção, por favor. Não se pode acreditar em tudo o que vem escrito nos jornais. É triste? Sim, é triste, pois é, mas é verdade. Os jornalistas, coitados, não são aldrabões porque não têm culpa nenhuma. A culpa, na realidade, não é deles é de quem os aldraba. Assim sendo, notem bem, são aldrabados não são aldrabões. E que isto fique muito claro. Tome-se por exemplo concreto de toda esta tristeza o episódio, recentíssimo, protagonizado pelo presidente do FC Porto que foi uma noite destas cabeça de cartaz de um programa de informação de um canal televisivo. Foi inusitadamente cruel o modo como o presidente do FC Porto, corrigindo a História, chamou aldrabão a um jornalista de "O Jogo". Na sua inocência, o jornalista escreveu a 22 de novembro do ano passado naquele diário desportivo que Fábio Silva passava "a ser detentor da maior cláusula de rescisão de sempre do futebol português: 125 milhões de euros (mais cinco do que a de João Félix)". A parte entre os parênteses – a comparação com o valor pelo qual o Benfica vendeu certo e determinado jogador ao Atlético de Madrid – é também da autoria, à laia de acrescento, do jornalista que informou o país sobre o fabuloso negócio em perspetiva: a futura venda de Fábio Silva, nem mais nem menos do que um recorde nacional.

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