Dei por mim a olhar para uma fotografia
Dei por mim a olhar para uma fotografia a preto-e-branco do antigo Estádio da Luz numa tarde de chuva com casa cheia. A média de guarda-chuvas deve andar à volta de um guarda-chuva por adepto porque não se vê uma única cara ou feição. É um mar negro que a todos cobre. Os saudosistas do antigo regime dirão que é a prova de que Portugal não era um país miserável porque cada português tinha um chapéu-de-chuva ainda que pudesse não saber ler e nem sequer chovesse muito durante o Estado Novo. Voltemos à fotografia. É uma imagem melancólica de um domingo à tarde do passado e é, sobretudo, um documento fidedigno sobre um modo de ir ao futebol que, atualmente, será visto como obsoleto. Onde estão os cachecóis, os bonés, as camisolas iguais às dos jogadores? Em lado nenhum. E os 'hot dogs'? E a pirotecnia? Sim, onde é que está a pirotecnia que dá tanta 'alegria' ao espetáculo?
