Floresta de pernas

Leonor Pinhão
Leonor Pinhão Jornalista

Empates-morais, sinais de respeito e outras coisas mais

O Benfica atingiu uma marca impressionante. Foi a 8.ª derrota consecutiva da equipa de Rui Vitória na Liga dos Campeões. É obra. As 6 derrotas da tristíssima campanha de 2017/18 seguiram-se à goleada sofrida em Dortmund no jogo da 2.ª mão dos oitavos-de-final da edição de 2016/17 e, nesta quarta-feira, acontecendo o jogo com o Bayern Munique aconteceu a última derrota desta série intolerável tendo em conta os supostos pergaminhos europeus do clube e a prosápia geral da casa no que a esta matéria diz respeito.

São, no entanto, extraordinariamente pacientes os adeptos do Benfica. Por exemplo, o treinador mais criticado no fim do jogo com os campeões da Alemanha não foi Rui Vitória mas, sim, Niko Kovac. Não por ter tomado conta do jogo e da manobra dos donos da casa como e quando quis à boa maneira de um forasteiro prepotente mas, imagine-se, por não ter substituído Renato Sanches nos instantes finais do desafio de modo a permitir que o ex-benfiquista recebesse, pela segunda vez na mesma noite, a estrondosa ovação que lhe seria devida.

"Sacana de treinador, vê-se logo que é alemão, que falta de sentimento…", foram os protestos que campearam pelas bancadas da Luz mal o árbitro espanhol deu por encerrada a sessão. O facto de Kovac ser mais croata do que alemão nem sequer foi relevante perante a indignação da plateia. Sem grandes motivos para aplaudir os seus, a multidão da casa, tendo pago ingresso, queria aplaudir Renato considerando-o ainda um bocadinho como "seu" ou, enfim, considerando-o como a coisa mais parecida, entre todas as coisas que estiveram em campo, com um jogador do Benfica.

Houve muitas crianças que, no fim do jogo, regressaram a suas casas convencidas de que o resultado tinha sido um honroso 1-1 construído com um golo de Lewandowski para os alemães e com um golo de Renato Sanches para nós. E houve um considerável número de espectadores adultos que também regressaram a suas casas com idêntica opinião. São as liberdades interpretativas que, felizmente, se concedem ao público de todas as idades. Mas a verdade é que foi muito especial aquele momento em que o estádio ressoou numa formidável ovação a Renato Sanches não por ter marcado um golo ao Benfica mas por não o ter celebrado em sinal de respeito. E o respeito é sempre muito bonito de se ver. O respeito marca.

Aliás, não foi só o público que sentiu a particularidade daquele raro instante amoroso. Toda a equipa bávara sentiu o mesmo e não houve jogador que não o referisse no pós-match. O Benfica, de facto, não ficou a dever um empate-moral a Renato Sanches mas talvez lhe tenha ficado a dever a condescendência e a bondade da exibição do Bayern Munique depois dos 2-0. "Já chega", terão pensado os campeões da Alemanha em sinal de respeito pelos adeptos mais amáveis da Europa. E foi por isso que o resultado ficou por ali.

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