Floresta de pernas

Leonor Pinhão
Leonor Pinhão

Isto e mais um Mitroglou, evidentemente

A propósito daquela velha arte competitiva a que chamam "atitude", a segunda parte do jogo entre o Sporting e o Porto, para a Taça de Portugal, trouxe-nos ecos da segunda parte do jogo entre o Benfica e o Porto, para o campeonato. Entre as ocorrências passaram-se quatro dias e, na realidade, não deixa de ser curioso ter a equipa de Sérgio Conceição sucumbido nos segundos 45 minutos de Alvalade ao mesmo tipo de pecado cometido pela equipa de Rui Vitória no último tempo do clássico da Luz. Aconteceu a Sérgio Conceição e a Rui Vitória não escaparem à impiedade popular. Tendo ambos os treinadores, dizem os analistas, considerado que os resultados ao intervalo lhes agradavam imenso, foram castigados com a derrota. No caso do treinador do Porto, valeu-lhe o afastamento da final da Taça de Portugal, coisa menor. No caso do treinador de Vitória, valeu-lhe a perda da condição de líder do campeonato e a perda da vantagem de depender o Benfica apenas de si próprio. E isto, sim, coisa maior.

É normal, quando acontecem estes desaires, dedicarem-se os adeptos da equipa derrotada a longos e penosos exercícios de culpabilizações internas e externas, sempre à vontade do freguês. E se a eliminação do Porto foi apenas um pro forma sem pinga de tragédia, o espalhanço do Benfica foi, de facto, estrondoso e fez mossa. Daí a lista de culpados que começou a circular na Luz mal Soares Dias apitou para o fim do jogo, sendo que o primeiro nome dessa lista, obviamente, era o nome do próprio Soares Dias, o árbitro da partida. Seguia-se o nome do treinador do Benfica por causa das substituições que fez. E logo a seguir, os nomes de todos os administradores da SAD do Benfica, também eles mais do que culpados por Rui Vitória só ter podido fazer as substituições que fez. Depois vinham os nomes dos jogadores substitutos e dos jogadores substituídos e ainda os de uma multidão de funcionários do clube por não terem feito nada do que era preciso fazer. E, a culminar, os nomes dos tratadores relva e também os nomes de quem teve a triste ideia das cantorias no início do jogo que só serviram para desconcentrar o público e os nossos jogadores.
De um modo geral são muito injustas estas acusações. O desaire, na realidade, explica-se em poucas palavras. O Benfica perdeu com o Porto porque, a meio da semana que antecedeu o clássico, não se lembrou de pedir ao João Gabriel (who else?) para escrever um ‘tweet’ das arábias perguntando se sempre era verdade que o árbitro que foi ameaçado na Maia iria ser o mesmo do jogo do título. Bastava isto. Isto e mais um Mitroglou, evidentemente.

Foi uma semana tão cinzenta para o Benfica que a única notícia que ainda teve a sua pequena graça foi a do novo empréstimo ‘desobrigacionista’ do Sporting no valor de 60 milhões. Isso e o regresso do presidente aos palcos, evidentemente. Valha-nos Deus.

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