Já só nos faltava este desígnio nacional
A Seleção só volta ao trabalho em Março, por conta do torneio de qualificação para o Mundial de 2022, pelo que o recorde do Ali Daei continuará a figurar no Guiness Book e, assim, o país, o nosso, pode suspender a sua sanha contabilística contra o goleador iraniano que é um glória no país dele porque nunca houve na história do futebol mundial um sujeito que conseguisse assinar 109 golos ao serviço de uma seleção. O sujeito que está mais perto de alguma vez superar a marca de Ali Daei é o nosso compatriota Cristiano Ronaldo que leva 102 golos com a camisola das quinas ao peito. A perseguição do goleador português ao recorde do goleador iraniano transformou-se numa espécie de desígnio nacional, o que diz muito quer sobre a nação, quer sobre os seus desígnios. Este desígnio moderno da nação antiga é mais do que pindérico, é de fugir a sete pés, é mania de ex-pobrezinhos, é ego de coitadinhos funcionais a quem, não faltando nada, parece que falta tudo até porque a obsessão com Ali Dalei se tem intrometido de um modo que atrapalha a produtividade da notável seleção de Fernando Santos.