Floresta de pernas

Leonor Pinhão
Leonor Pinhão Jornalista

Lá voltou tudo à normalidade

Grande figura do nosso pequeno futebol, Octávio Machado é agora uma espécie de António Ferro do atual pequeno líder do grande Sporting. É o publicista de eleição, a mente epistolar, o ideólogo possível e, diga-se em favor da verdade desportiva (e da outra também) que tem desempenhado o serviço com a entrega total – quando não cólera – que sempre dedicou a todas as causas que foi tomando como suas por via de uma entrega profissional muito própria mas que será sempre de admirar.

Esta semana, no entanto, comprometeu seriamente os desígnios do Sporting ao meter o Porto ao barulho, diminuindo-lhe publicamente o estatuto perante a sempre cruel opinião pública, rebaixando-lhe intoleravelmente o gabarito no consagrado departamento das influências e afins quando para, denunciar a pressão do Benfica sobre o sector da arbitragem, utilizou o brasão da Invicta como contraponto fatal.

Octávio viu-se a apontar, como bom exemplo – e a bem da nação – a passividade do antes intratável Porto sobre o mesmo atarantado sector da arbitragem com um "o Porto tem estado calminho" que não demorou 24 horas a acordar o velho espírito do dragão. É verdade que Octávio não disse mentira nenhuma. Sim, o Porto vinha estando "calminho", calmíssimo, posto em sossego e, certamente, até agradado com as surtidas diárias anti-Benfica oriundas de Alvalade que lhe permitiram nunca se desgastar nestes antiquíssimos folclores.

Mas não seria também da maior conveniência para o Sporting que o Porto assim permanecesse, calado, tolhido, a ver a banda passar? E a 4 pontos de distância e à procura de treinador? A questão dos 4 pontos e a do treinador resolver-se-ão ou não. A questão do mutismo portista sobre o tema dos apitos e outras influências – que já vinha afligindo, é certo, a massa adepta dos dragões – foi resolvida de uma penada com duas comunicações oficiais de rajada contra a "riquíssima" Federação Portuguesa de Futebol que "não quer o Porto no Jamor" e contra o árbitro algarvio do jogo da Taça no Bessa que mostrou cartões a meia-equipa portista o que não admira visto tratar-se de um árbitro vindo do "extremo Sul porque Timor já não é nosso". Ah, o extremo Sul! – há quanto tempo não se ouvia uma coisa destas?

E pronto, graças ao execesso de zelo de Octávio Machado é caso para se dizer que, agora sim, lá voltou tudo à normalidade.

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