Floresta de pernas

Leonor Pinhão
Leonor Pinhão Jornalista

Manuel Empis e André Almeida

Num universo de milhões de adeptos haverá, democraticamente como é nosso timbre, muitas opiniões sobre qual terá sido o momento decisivo da época. E as opiniões não se ficam por aqui. Muitas mais haverá sobre quem terá sido o jogador mais importante nesta caminhada.

Quanto ao jogador voto no André Almeida. Sim, trata-se efetivamente de um tri-campeão nacional. André Almeida, como se não bastasse, é um de nós. Vimo-lo conduzir o pelotão de jogadores portugueses feitos no Benfica que despejaram uns festivos litros de champanhe sobre Rui Vitória no fim de tudo, vimo-lo a safar na mesma jogada duas bolas sobre a linha de golo no jogo da Luz com o Guimarães, vimo-lo a cantar no autocarro a caminho do Marquês, vimo-lo a meter a bola em Jiménez para o golo da vitória em Coimbra, vimo-lo a puxar pela multidão à varanda da Câmara, vimo-lo impecável em Munique e noutros palcos.

Não o veremos, no entanto, no Euro 2016 mas logo o ouvimos dizer, assim que foi tornada pública a lista de Fernando Santos, que podem contar com ele para apoiar a seleção "em todos os jogos do primeiro ao último minuto". Que campeão.

Quanto ao momento decisivo para muitos terá sido o golo de Mitroglou em Alvalade. Para muitos outros terá sido a conferência de imprensa em que o treinador do Sporting, atacando Rui Vitória em termos inqualificáveis, acabou por acordar os benfiquistas para a tarefa inadiável da união em torno do seu treinador.

Aceita-se. O golo do grego permitiu ao Benfica ser líder e a oratória rival reduziu a zero os créditos – e eram muitos – que Jesus tinha deixado na Luz. Mas permitam-me que eleja como momento mágico de 2015/2016 aquele olhar interminável entre o veterano Jonas e o jovem adepto Manuel Empis depois de o brasileiro ter dado a volta ao resultado no jogo com o Rio Ave na primeira volta da prova.

Faltavam 10 minutos, o jogo estava empatado, o Benfica ia ficar a 9 pontos do líder. Mas Jonas fez o 2-1 e, de braços abertos, correu para os adeptos. O minuto da viragem, quero crer, foi o daquela comunhão perfeita e alucinada entre o goleador Jonas e o rapaz Empis abraçados um ao outro, esbugalhados de felicidade, obrigando-nos, ao céticos, a acreditar que era possível. Tanta gente adulta a falar um ano inteiro mas teve de ser um miúdo a puxar por nós. Aconteceu num fim de tarde na Luz a poucos dias do Natal. Outra vez o Natal.

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