Floresta de pernas

Leonor Pinhão
Leonor Pinhão

Mas que lindo serviço

Jorge Jesus prestou esta semana um serviço inestimável ao Sport Lisboa e Benfica. Não é o primeiro serviço prestado, visto que foi treinador do clube e conquistou títulos importantes. Nem será por certo o último se persistir nesta roda-livre de desconsideração pública do seu sucessor – porém já não seu ‘herdeiro’ – em termos que ultrapassam os limites mínimos do decoro.

A verdade é que o treinador do Sporting conseguiu em 2 fulgurantes minutos aquilo que nem Luís Filipe Vieira, nem a celebrada ‘estrutura’, nem o competentíssimo departamento de marketing tinham conseguido em 7 meses contados desde que Rui Vitória foi apresentado na Luz.

Jorge Jesus cometeu na noite da última quarta-feira a proeza de unir a massa adepta do Benfica em torno do seu treinador. E esta é uma excelente notícia para um Benfica que, desde junho, se via dividido entre os que aceitavam com toda a naturalidade a dispensa dos préstimos do técnico e os que, antes pelo contrário, consideravam um absurdo tal decisão.

Ficou agora resolvida, graças ao inadvertido contributo de Jesus, essa dúvida existencial que vinha minando a alma do bi-campeão. Haverá sempre, no entanto, quem desgoste do futebol morno que a equipa vem praticando e quem lamente o desaparecimento daquele jogo alegre, ainda que frequentemente tresloucado, com que o Benfica nos brindou na última meia-dúzia de anos. É o privilégio das democracias. E porque o futebol, como entretenimento para gáudio de multidões, é indissociável de fatores de crueldade que remontam ao tempo dos circos romanos, haverá até quem sinta saudades dos 4 dedos mostrados a Manuel Machado e dos 3 dedos mostrados ao confundido treinador do Tottenham entre outros mimos que encantaram, à época, muitos benfiquistas. Não todos, mas muitos.

Sem ter mostrado nenhum dedo a Rui Vitória, o que o atual treinador do Sporting mostrou foi um tremendo desprezo profissional por um par. Justamente o mesmo cavalheiro que na hora do triunfo vimaranense no Jamor, em 2013, lhe dedicou palavras de enorme apreço e conforto em função dos seus inquestionáveis méritos e do valor daquela bela equipa que podendo ganhar tudo, acabou por tudo perder.

Perante tudo isto, como não passar a simpatizar com Rui Vitória mesmo a 4 pontos de distância do primeiro lugar? Foi este o lindo serviço que Jesus prestou ao Benfica. E não tem preço.
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