Floresta de pernas

Leonor Pinhão
Leonor Pinhão Jornalista

Nem debaixo de água

Nem debaixo de água conseguiu o Benfica ganhar ao Porto que vinha de perder em casa com o Arouca. Conseguirá chegar ao fim da temporada e festejar o título uma equipa que não ganha um joguinho que seja aos adversários diretos? Ora aqui está uma questão que só o tempo desvendará. A acontecer seria absolutamente notável pelo absurdo. Mas o que é o futebol se não uma soma de absurdos mais ou menos eficazes.

Os jogadores mais criativos do Benfica foram ontem muito cerimoniosos nos despiques individuais. Mas na conferência de imprensa do lançamento do clássico, Rui Vitória fintou com grande clarividência uma pergunta cuja essência apelava diretamente a uma manifestaçãozinha de vaidade. Questionado sobre se considerava o seu discurso "de revolta" do início de janeiro (…depois de Jesus sugerir aos jornalistas que lhe fizessem "perguntas incómodas") como o momento-chave da recuperação da equipa, Rui Vitória não foi vaidoso. Do presidente ao tratador da relva, o treinador do Benfica não deixou ninguém fora da responsabilidade de um trabalho bem feito em 11 jogos consecutivos. Agora que o 12.º jogo não correu tão bem, é a hora de voltar a apontar baterias ao treinador ou será que o soberbo coletivo que recuperou o Benfica para a discussão do título vai, uma vez mais, assumir o seu dever?

Na próxima terça-feira o Benfica regressa à Liga dos Campeões e logo veremos se a derrota de ontem vai ou não pesar no compromisso europeu. O adversário é o Zenit de São Petersburgo, o palco é a Luz e a expectativa é grande a valer, o que se compreende na perfeição. É que não só se trata da primeira mão dos oitavos-de-final da mais impressionante competição de clubes mas também de um reencontro em campo com gente que já foi nossa, como Garay, Javi García e Witsel, e com gente que, antes pelo contrário, nunca foi e nunca será nossa como, ainda esta semana, o afirmou muito bem, André Villas-Boas, o treinador português da equipa russa.

E neste futebol de mercantilismo livre e selvagem chega a ser bonito quando se vê o tão desvalorizado amor à camisola subir ao lugar de comando na hora de se tomarem decisões importantes na vida das pessoas e das instituições. E este preceito romântico vale tanto para André Villas-Boas como para o próprio Benfica de que, é certo e sabido, Villas-Boas nunca será treinador.

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