Floresta de pernas

Leonor Pinhão
Leonor Pinhão Jornalista

O Gabinete de Curiosidades em exercício

A perene estrutura do FC Porto, a que será justo apelidar de "os sobreviventes do Apito Dourado", deve estar bem desiludida com os últimos sucessos da periclitante estrutura do Sporting que se resume hoje à perliquitética figura do presidente. "O doutor Bruno de Carvalho", tal como foi referido por Fernando Correia na ocasião da sua estreia como porta-voz do remanescente diretivo do Sporting. Uma das proezas reviravoltistas destes dias em que o Sporting se viu transformado num Gabinete de Curiosidades é, precisamente, o desaparecimento público da denominação "o Bruno" com que comentadores, jornalistas e, basicamente, toda a gente tratava o presidente do Sporting numa espécie de tu-cá-tu-lá que agourava, de facto, o pior. Passou agora a ser denominado "doutor Bruno de Carvalho" pelos seus defensores que o querem cobrir de respeito e pelos seus opositores que não querem nem por sombras intimidades dessas.

Os sobreviventes do Apito Dourado estão desiludidos com "o Bruno" – são, na realidade, os únicos que ainda o tratam assim – porque fazer uma coisa destas, salvar o defeso do Benfica que reunia tantos e variados ingredientes para não ter salvação possível, é absolutamente inqualificável. E é. Não se faz. É que ninguém neste país consegue arranjar um parceiro com quem debater furiosamente o colapso competitivo dos ex-tetracampeões nacionais, as incursões da PJ ou os benefícios de um eventual regresso de Renato Sanches. Ninguém quer saber disto para nada.

Há 25 anos, o Benfica destituiu um presidente, Jorge de Brito, numa assembleia geral concorridíssima, inevitavelmente inflamada pelas circunstâncias que tinham permitido a dois jogadores rescindir os seus contratos e, com toda a calma, atravessar a Segunda Circular para o lado onde morava e mora o eterno rival. Jorge de Brito, sentindo a hostilidade da maioria, aceitou com a distinção de um cavalheiro o veredicto popular, saiu pelo seu pé sob ovação e, passados uns anos, ainda perdoou ao Benfica um adiantamento que teria feito ao clube numa hora de aperto da tesouraria. Peculiaridades do tempo dos presidentes-mecenas.

Nesse tempo quando se falava de "apertos" eram quase sempre apertos de tesouraria. Corriqueiramente, faltava a massa ou ia faltar. Quando os "apertos" passaram a ser outros tudo se estragou. Quase tão chocante como a entronização do "aperto" tido como método de motivar árbitros ou jogadores para darem "o seu melhor" é a entronização do "plantar notícias" como se a imprensa fosse, por vocação, o adubo fácil e orgânico das aldrabices ou das conveniências do momento. Não pode ser.

"Os jogadores têm de perceber que o Sporting não pode ser penalizado por um ato de terrorismo", disse esta semana Sousa Cintra. Para o antigo presidente não haverá rescisões de contrato em Alvalade. Sobre este assunto, no entanto, o ex-presidente é a pessoa menos indicada para tranquilizar as hostes.

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