Floresta de pernas

Leonor Pinhão
Leonor Pinhão Jornalista

O preço a que estão as bolas

Não consta um único árbitro português de carne e osso na lista de nomeados da FIFA para o Mundial. Trata-se de uma discriminação cometida contra o país campeão da Europa? Os nossos melhores árbitros não são, certamente, piores do que os piores entre os seus colegas estrangeiros que vão estar na Rússia. Não terão os árbitros portugueses quem os defenda nos imponentes centros das decisões desta indústria global? Não, provavelmente, não têm. O facto de não haver árbitros compatriotas no próximo campeonato do mundo não deve, no entanto, ser considerado como um sintoma de desconsideração. No campo do otimismo, é um sinal do nosso progresso. Árbitros-tradicionais-jeitosos é o que mais há por toda a parte. Vídeo-árbitros-jeitosos é que são mais difíceis de encontrar. Daí haver ainda a justificadíssima esperança de a FIFA convocar dois VARs portugueses para o Mundial da Rússia. Que vão e sejam felizes são os desejos de todos os que, por cá, se entretém semanalmente a usufruir das excelências desta modernidade testada em Portugal.

O país do campeão da Europa é de extremos. Tanto se deleita com a tal modernidade que vamos agora exportar para a Rússia como se deprime com misérias impossíveis de ultrapassar. Esta jornada do campeonato arrancou na noite de 5.ª feira na Vila das Aves sob uma intempérie que alagou o campo e atrasou o início do jogo. Fenómenos meteorológicos e os decorrentes relvados impraticáveis são vulgares por esse mundo fora. Quando a bola não rola não pode haver espetáculo. O que é só nossa, mesmo só nossa, é aquela miseriazinha a que se assistiu no fim de tudo quando foi recusada a oferta da bola do jogo a Edinho, autor de 4 golos em 27 minutos. O poker do veterano avançado do Vitória de Setúbal não teve direito à tradicional recompensa esférica porque as bolas de futebol custam dinheirinho. Só pagando, Edinho. Oh, pobreza.

Com maior ou menor aparato, vai dando conta a imprensa da cobiça de emblemas estrangeiros pelos serviços de João Félix, o mais promissor jovem jogador português dos tempos que correm. É provável, vão-nos dizendo de mansinho, que João Félix não chegue a fazer sequer um jogo pela equipa principal do Benfica porque a voragem internacional em torno do seu nome poderá levá-lo da Luz já no próximo mercado de Verão. Só não lhe poderemos chamar o novo Bernardo Silva porque o atual jogador do Manchester City ainda jogou meia-dúzia de minutos na equipa de honra – era assim que se dizia antigamente – antes de embarcar para o Mónaco. Os adeptos do Benfica que se têm revelado pacientes, e até solidários com a administração, face a todos os ataques públicos e privados, oficiais e oficiosos, de que a SAD tem sido alvo, poderão muito basicamente perder a paciência se lhes for sonegado o direito de ver, pelo menos uma vez, este Félix jogar na equipa adulta do Benfica. Oh, pobreza.

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