Floresta de pernas

Leonor Pinhão
Leonor Pinhão Jornalista

O problema chama-se ânsia da "fruta"

Futebol é futebol. O resto é o resto. Por isso mesmo não são as manchetes sobre os problemas financeiros ou fiscais do cidadão que ocupa o cargo de diretor de comunicação do FC Porto que me fazem vibrar de como se um golo do Benfica se tratasse. E refiro-me ao tipo de vibração provocada por um golo como o que Lisandro López, com uma cabeçada impecável, marcou no Dragão na temporada passada nos instantes finais do tempo de compensação. São essas as alegrias do futebol. Quanto às questões da vida privada de cada um, salvo dar-se o caso de indiciarem ou acarretarem ilícitos gravosos para as instituições que representam ou para um funcionamento asseado da República, não vejo, com franqueza, o menor interesse público nessas sempre espaventosas divulgações jornalísticas.

O diretor de comunicação do vice-campeão nacional tem direito, como qualquer cidadão, a não ver as suas atribulações pessoais expostas nos jornais e nas aberturas dos telejornais. Viu-se vítima, portanto, na quinta-feira logo pela manhãzinha de uma ação dispensável à luz do bom senso que devia imperar nas sociedades paradisíacas. No entanto, a vítima da devassa da manhã de quinta-feira entendeu na mesma quinta-feira, à noitinha, revelar num estúdio de televisão ter em sua posse documentos "de índole muito pessoal, muito íntimo" que comprometerão a vida privada de outros cidadãos. Prosseguiu o diretor de comunicação do vice-campeão nacional: "Isto tem a ver com amantes e coisas assim de árbitros de futebol" o que, convenhamos, não pode deixar de ser considerado como uma tentativa de insolvência da vida familiar dos ditos árbitros de futebol.

- Fruta? – logo perguntou um seu colega em estúdio no Porto Canal na ânsia, reveladora e insensata, de colar a outros os epítetos que, por direito, lhes pertencem.
Mas o orador nem pestanejou: "Não vou mostrar, não vou mostrar, jamais mostrarei isto para preservar as pessoas, mas tenho, tenho, existe…" que é como quem diz que a "preservação das pessoas" tem os seus limites face à urgência de uma necessidade. E foi assim, em meio minuto (sexual) de emissão televisiva na quinta-feira à noite, que lá se foi a solidariedade devida à vítima (fiscal) da notícia da quinta-feira de manhã.

A sexta-feira, contudo, amanheceria com excelentes notícias do foro judicial e policial que nada têm a ver com a vida privada de cada um mas com a vida pública de todos que é o que, na verdade, interessa: o presidente da FPF chamou, finalmente, a Polícia Judiciária e o Ministério Público à ação e a PJ, por sua vez, ‘intimou’ o diretor de comunicação do vice-campeão nacional a entregar toda a documentação eventualmente roubada e adulterada com que tem vindo a entreter o pagode aos serões. Agora é esperar.

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